Quando a lua de mel acaba.

*****

É… tem muu muu mmuuuuiiiittttoooo tempo que não escrevo e essa semana acho que descobri porquê. Depois que voltei de férias do Brasil e experimentei a sensação de ter voltado pra casa foi como se a fase de “lua de mel” com a Nova Zelândia tivesse acabado. Não de um jeito ruim, mas sabe quando uma relação amadurece? Aquele ponto que todo nós já passamos seja com aquele trabalho incrível, o(a) novo(a) namorado(a) ou ainda quando você muda pra um prédio/casa novinha e os primeiros meses são de absoluto encantamento até que um dia você vê uma injustiça no escritório, o namorado dá aquele arroto troglodita na mesa ou a pia da cozinha entope? Então. Você não vai se demitir, terminar o namoro e nem se mudar mas as coisas perdem um pouco do brilho… e está justamente aí o ponto que define o quanto aquilo significa para você.

*****

Imigrar para outro país não é fácil. E como tudo na vida, só vivendo pra saber. É meio como casamento: você precisa renovar aquele compromisso todo dia quando acorda. Reconhecer as coisas boas das quais teve que abrir mão e principalmente enxergar todas as ruíns que justamente te fizeram deixa-las para trás. Basicamente é carregar uma balança portátil no fundo da sua bolsa todo o tempo e refazer a equação sempre que um ponto negativo pipocar bem no meio da sua cara. E eles pipocam.

*****

O Rock In Rio mexeu muito comigo profissionalmente. Quem me conhece sabe o quanto me orgulho da minha profissão, dos lugares onde trabalhei e principalmente de ter no Brasil a chance de fazer todos os dias o que eu amo, o que pra minha sorte, vem a ser também o que eu sei fazer de melhor. Acompanhar de longe um festival das proporções do Rock in Rio e ter certeza absoluta que eu estaria de alguma forma envolvida com aquilo me pegou pelo pé. Foi no Rock in Rio em janeiro de 1991 que escolhi minha profissão, que comecei a sonhar com o que vem hoje a ser grande parte do meu curriculo e por consequencia de quem eu sou e de onde meu coração está. Ter tido a chance de trabalhar no Rock In Rio 2011 seria o momento “que meu sonho fez plin”. E isso me enfiou numa semana pesada de questionamento e incertezas.

*****

A indústria de entretenimento aqui (pra ser bacana) está em desenvolvimento e sinceramente não descobri ainda até que pontos os Kiwis estão determinados a evoluir nesse aspecto. Exemplo? Imaginem um Festival de Artes no Brasil com um calendário cheio de peças, exibições e workshops bacanas acontecendo no período de um mês. imagine agora que a Ticketmaster, a Ticketsforfun e a IngressoRápido abrissem mão da prerrogativa da exclusividade em nome de sei lá o que e todas vendessem ingressos para diferentes eventos desse mesmo festival! Aqui? Normal, tipo todo mundo perdido mesmo: consumidor não sabe pra onde ligar pra comprar o ingresso, funcionário doido sem saber quais eventos exatamente ele está vendendo, e o pior, você obrigado a indicar o concorrente se o consumidor perguntar se ele tem ingresso para determinado evento, afinal quem quer ficar mal com os produtores do Festival? Gente… se é complicado pra explicar, imagina pra fazer parte.

*****

Nessa hora, eu tiro a balança do fundo da bolsa e lembro que estou tendo a oportunidade de aprender do zero como desenvolver e gerenciar um negócio como esse (as lições do que “não fazer” são em sua maioria mais efetivas do que todas as outras). No futuro tudo isso pode me ser útil já que a tendência é mesmo continuar explorando a proposta das gravadoras de cobrir todas as frentes do mercado (Música em diferentes formatos / Venda de Shows/ Gerenciamento de Carreira…) e pq não ingressos? Mas “re-começar” requer um bocado de estômago, paciência e porque não, humildade. Não, eu não tenho problema com isso e jogo nas onze servindo cafezinho com a mesma desenvoltura que tomo uma decisão importante em nome da camisa que estou vestindo, mas sair da sua zona de conforto pode te angustiar às vezes.

*****

A verdade é que a balança pesa muito por aqui. Eu adoro a Nova Zelandia e os dias aqui sempre são de paz: 5 minutos andando estou no trabalho e mais 5 estou de volta, as estradas sempre levam a algum lugar incrível e não fico um dia sem aprender alguma coisa nova. Os motivos que me trouxeram para cá ainda são fortes vozes no meu coração insistindo que aqui é mesmo o lugar (afinal de contas eu tenho sonhos ainda maiores esperando para “fazerem plin”. Então, todos os dias de manhã eu renovo os meus “votos” e reafirmo o compromisso que assumi quando decidi vir pra cá. No final das contas sei que esse sentimento de fim de lua mel é bom, significa que a “vida real” começou.

Anúncios

E quando as férias são na “casa da gente”?

Girls

Férias de quem resolve imigrar pra outro país é coisa estranha.  Geralmente, depois de um ano inteirinho trabalhando, aturando aquele chefe mala e lidando com prazos malucos, as pessoas escolhem aproveitar as férias num lugar diferente, com cara e cheiro de novo. Mas se você imigra e ainda rola aquele apego com algumas pessoas da família e os amigos mais queridos é diferente, você acaba convencido de que essas “férias as avessas” podem ser o melhor jeito de recarregar as baterias.

LOL!

De antemão, já digo que não vai dar pra fazer isso sempre, afinal, se conhecer uma nova cultura foi um dos motivos que fizeram a pessoa sair do conforto do seu idioma significa que a novidade vai ficar velha e a necessidade de explorar novos “ares” vai continuar sendo uma constante. Não precisa mudar de mala e cuia a cada dois anos, mas pessoalmente posso dizer que tão logo eu termine de explorar toda a Nova Zelândia já existe um mundo de coisas por perto que não posso deixar de conhecer: Fiji, Samoa, Austrália… Tendo dito isso, fica esclarecido um dos motivos porque eu digo que não sei quando volto ao Brasil.

FFL!

Não. Eu não sou uma desalmada que não sente falta da família e muito menos meus amigos perderam a importância pra mim. Nem de longe. Mas a gente amadurece (as vezes às custas de inúmero erros e meia dúzia de acertos) e acaba (uns mais cedo, outros mais tarde) concluindo o que traz paz pra gente. Só aí, dá pra finalmente começar a colocar em prática velhos planos engavetados. E não me entenda mal, quando digo paz, quero dizer aquela certeza gostosa que a gente tem quando tem algo (ou alguém) por perto é pra  vida toda.

Lolly

Confesso, que quando eu entrei  no avião pro Rio de Janeiro eu senti receio. E se eu colocasse o pé no Rio e pensasse “o que eu tô fazendo do outro lado do mundo?”…Estar perto dos meus avós, dos meus pais, irmão, primos, tios e poder colocar um ano inteiro de novidades em dia foi uma delicia. Acordar e dar de cara com a Lolly me fez derreter e poder comer a canja do meu avô quase me fez pensar em ficar. Gargalhar com as maiores bobeiras do mundo em algumas mesas de bar sempre regadas a chopp e/ou capirinha me encheu de energia. Visitar antigos colegas de trabalho e saber que sentem minha falta me fez sentir querida e aqueceu meu coração.

L.O.V.E!

Eu tive dias incríveis, e sem modéstia alguma posso dizer que tenho os melhores amigos do mundo, mas foi bacana perceber que durante todo o tempo  em que estive no Rio nunca perdi aquela sensação de férias, eu sabia que não estava em casa. Sabe quando você ama suas férias mas acaba ficando feliz quando entra na sua rua?  Então…foi isso. Amanhã pode tudo mudar (não sou ingênua ao ponto de colocar expressões como “pra sempre” ou “nunca mais” no final das minhas frases) mas hoje a minha casa fica em Wellington, na Nova Zelândia.

Maradonas, Evitas e Aerolíneas Argentinas.

Cuidado! Esse post é azedo, amargo e pode ser controverso para algumas pessoas.

Eu nunca escondi de ninguém que DETESTO Argentino. Não gosto. Sei que a implicância é gratuita mas vamos concordar: Os caras são mal educados mas se consideram hospitaleiros, estão agonizando economicamente e ainda conservam o tacanho pensamento e atitude de quem são (ou acham que são) a “Europa na América do Sul”. Acho que se entende muito uma nação identificando os ídolos que ela elege… E quando eu penso no Maradona, muita coisa acaba fazendo sentido pra mim. Mas tudo bem, aceito que seja mera implicância e que nesse mar de prepotência argentina deve haver um ou outro cidadão de bem. No geral, eu não gosto mesmo e todas as vezes que estive em Buenos Aires (trabalhando ou em trânsito já que turismo sempre esteve fora de questão)  a única coisa que descobri é que o tal chorizo não chega mesmo ao pés da nossa picanha maturada.

Em contra partida os caras também odeiam gente. E daqui pra pior… uma nação que sempre se julgou melhor do que o Brasil, hoje depende do dindim da galera tupiniquim que escolheu Buenos Aires para passeios e compras. Pra mim é um deleite ver Argentino servindo Brasileiro, seja no taxi, no restaurante ou no aeroporto. Mas não se engane, ninguém naquele país vai além do que é mera obrigação. Argentinos no geral desconhecem palavras como gentileza e amabilidade.

Vi todas essas, que eram até então teorias, se materializarem nos últimos 3 dias, quando tentando voltar pra casa depois de 20 dias em família no Rio, tentei voltar pra casa pela Aerolíneas Argentinas. A verdade é que eu nunca curti muito a Aerolíneas… serviço né. A espera entre um vôo e outro é enorme, o avião meio “marroomenos” e a antipatia e a má vontade da tripulação é típica dos funcionários públicos, afinal a Aerolíneas Argentinas é uma estatal. Mas cobra os preços mais baratos para Nova Zelândia, e a gente compra porque se acostumou a fazer enconomia burra. E não foi falta de aviso, quem fecha minhas passagens é o pai da minha amiga Sophie e todas as vezes ele me falava: “Monica, você é a única pessoa para quem minha agência fecha Aerolíneas e só porque você é amiga da minha filha. Eu não vendo bilhetes Aerolíneas para meus clientes”. O problema é que você dá sorte num vôo, no outro e acaba relevando, como se a diferença de preço cobrisse coisas com as quais eu vivo sem, a simpatia dos argentinos por exemplo. Mas a coisa é bem mais feia do que isso.

25 de Junho | Sexta – Com o a erupção do vulcão Puyehue a Aerolíneas foi imediatamente prejudicada. No dia 05 de junho, voando sobre Bariloche para chegar ao Brasil, o piloto nos chamou atenção sobre o vulcão, todo mundo tirou foto, inclusive eu. Tinha só um dia e ninguém imaginaria o quanto ia bagunçar os vôo na América do Sul. Na semana que fui viajar, olhei os status dos vôos da Aerolíneas no website deles e aparecia como se todos os vôo pra Auckland daquela semana haviam sido realizados com sucesso. Com essa informação fui pro Aeroporto do Galeão. Já na hora do check in a funcionária me informou que “o vôo não estava confirmado”. Perguntei quais eram as minha opções e ela falou: “você pode arriscar e ir se for cancelado você estará imediatamente no próximo vôo que acontece depois de amanhã”. Tendo data pra voltar a trabalhar, aceitei o risco e fui.

Quando cheguei em Buenos Aires fomos informados que o vôo havia sido cancelado e que todos os passageiros deveriam arcar com suas próprias despesas de hospedagem, transporte e alimentação mesmo sendo do conhecimento de todos que pela ANAC, se você fica em trânsito (conexão) por mais de 4 horas a cia aérea tem que prover alimentação e por mais de 8 horas, hospedagem e transporte. Em caso de cancelamento, a Cia Aérea precisa realocar o passageiro no próximo vôo disponível de outra Cia Aérea. Com essa informação na ponta de lingua, consegui uma voucher de taxi para ir ao hotel e uma noite de hotel. Chegando lá, descobri Brasileiros que estavam em Buenos Aires há 10 dias aguardando um vôo pra Auckland, o que não fez nenhuma sentido pra mim já que pelo histórico do site os vôos estavam saindo. Ter que mudar sua viagem e todos os seus planos, perder programas e eventos já pagos no lugar de destino já é frustração suficiente. Mas realmente, deixar de passar férias na Nova Zelândia para amargar um Tango em Buenos Aires é castigo de limpar alma pra pelo menos 4 encarnações. Esse era o caso de centenas de Brasileiros. Eu só queria mesmo voltar pra casa.

26 de Junho | Sábado – No dia seguinte paguei um taxi e voltei pro aeroporto. Outro vôos vindos de São Paulo, Rio e Porto Alegre continuaram a chegar em Buenos Aires com passageiros para Auckland e Sidney. Quando um vôo é cancelado, os passageiros entram direto numa lista de espera para o próximo vôo e pelo que eu estava entendendo essa lista não parava de crescer. Entrando no site mais uma vez, vi uma promoção da Aerolíneas com vôos para Sidney a $147 usd. Como assim, não tinha vôo e eles vendendo passagem promocional justamente para esse período? Depois de um dia de espera tentei um voucher para ir pro hotel e fui informada de que a Aerolíneas só providenciaria uma noite como uma “cortesia”. Nossa…muy amable! Não adiantou explicar que eu estava em trânsito, que eu não deveria estar ali, que tinha vôo saindo pela Lan Chile naquela mesma noite… seja Dieguito ou Evita, a cara de descaso permanecia a mesma.

Resolvi ficar lá mesmo e dormir no aeroporto, já que havia sido informada que existia a “lista de espera” e a “real lista de espera” onde o primeiro na fila garante o assento no vôo. Alimentação correndo por minha conta. Curioso foi ver que vôos para Miami, Barcelona e Madrid (rotas completamente diferentes de Auckland) também estavam sendo cancelados. Pra piorar, descobri que embora o site do aeroporto de Auckland não tivesse nenhuma informação sobre o vôo da Aerolíneas, pelo site da Aerolíneas o meu vôo não só havia saído como tinha chegado a Auckland… mentira.

27 de Junho | Domingo – O que se seguiu foi uma reprodução do que o povo que estava lá há 10 dias havia me contato: ao invés de cancelarem o vôo e pronto, o mesmo ia ser adiado para diferentes horários até que foi cancelado. O problema desse procedimento é que enquanto o vôo não está cancelado as pessoas continuavam desembarcando em Buenos Aires, aumentando a lista de espera. Foi nesse momento que eu pedi para falar com alguém do cargo de gerência que soubesse articular uma frase diferente de “lamento, não podemos fazer nada”.

Entendo que tenha sido um dia difícil para os torcedores do River, entendo mesmo… mas a imagem da rodinha de bate papo enquanto a fila do balcão de informações só fazia crescer foi realmente perturbadora. Conversando com o Gerente ele grosseiramente me explicou que as determinações haviam mudado e que se até 24 antes a Aerolíneas poderia me voar de volta para o Rio, se eu quisesse fazer isso agora (e eu queria porque já tinha entendido que não vai ter vôo pra Auckland nem tão cedo) eu teria que usar a minha perna Buenos Aires x Auckland. E mais, quando os vôos para Auckland retornassem eu teria que comprar outra passagem Rio x Buenos Aires já que havia utilizado a minha… ALOW? Expliquei (bem devagar, em dois idiomas) que jamais havia comprado 4 tickets  Rio x Bue, Bue Akl, Akl x Bue, Bue x Rio. Comprei duas passagens: Rio x Auckland e Auckland x Rio. Buenos Aires pra mim (e isso consta no recibo e na passagem) sempre foi conexão e que segundo a IATA e a ANAC o procedimento da Aerolíneas estava no mínimo, completamente equivocado.

Senhoras e Senhores… nesse momento nosso Hermano, depois de ter dito coisas como não é meu problema e não posso fazer nada, esse hijo de puta, me solta um sonoro “No Me Importa”. Olhando no meu olho, diante de uma fila de pessoas perplexas vivendo diferentes situações: Kiwis, Australianos, Brasileiros com bebê, idosos e gente sem grana para bancar uma passagem de volta pra casa e mais outra de volta pra Buenos Aires quando a situação se normalizar (SE normalizar). Hotel e transporte totalmente fora de cogitação também. Aquela altura, só queria mesmo sair daí… comprei bilhete para o primeiro vôo disponível pra Auckland pela Lan Chile, e pedi pra Aerolíneas me mandar de volta pro Rio, ainda que usassem meu bilhete. Fiquei com nojo de tudo…

Muitas coisas podem estar acontecendo: crise financeira, pressão para input de verba por parte do governo…tivemos tempo suficiente para formulármos diversas teorias. Não importa, o descaso e o descumprimento de todas as leis de defesa do consumidor e das regras impostas pelos orgãos regulamentadores não deixam dúvidas de que a Aerolíneas Argentinas não é uma empresa confiável, nem séria. E que talvez a minha implicância não seja tão gratuita e injusta assim, considerando todas as grosserias, o desprezo e as ironias que a equipe Aerolíneas Argentinas despejou em seus clientes. Entendam que eu não queria em nenhum momento que a Aerolíneas enfiasse uma rolha no vulcão, que comprometesse minha segurança voando sem poder ou que me levasse de barquinho. O problema não foi o cancelamento do vôo, mas a forma como a Companhia vem lidando com os cancelamentos nas últimas duas semanas. Acho o fim do mundo eu ter pago do meu bolso pra ir até a Argentina, passar três dias comendo e dormindo mal e voltar pro Rio e ainda ser maltratada.

Nota de Rodapé: Percebeu que futebol não entrou nem em discussão, né?

3, 2, 1 …just jump. It’s only a bungy jump!

.

Sei que já fez um mês e que todo mundo já viu as fotos e o vídeo… mas pular de 47 mts de altura presa pelos pés por uma corda foi realmente, de longe, a coisa mais divertida que já fiz na vida. E só por isso merecia um post. Mas tem mais… pular de bungy desencadeou em mim aquela avalanche de analogias com a vida, com a minha vida. E se você é como a Renata que diz que “viaja na minha maionese” esse post também vai ser divertido (ou reflexivo) pra você.

Sem modéstia, tenho um monte de coisas divertidas no meu currículo: Já voei de asa-delta, de helicóptero, já passei dos 150 km p/ hora na estrada, já andei em dezenas de montanhas-russas. Falta pular de pára-quedas, é verdade, mas duvido que saltar com um desconhecido “attachado” em mim me dizendo o que fazer supere o que eu senti quando junto com o som da corda pesada me puxando pra beirinha da plataforma tive certeza que não tinha outra coisa a fazer além de …pular!

.

E me permitindo a velha cafonada da comparação entre cabeça e coração, o que acontece é: Seu corpo se prepara para (nesse caso, literalmente) quebrar a cara. É como uma sirene ensurdecedora que “desperta” cada célula sua. Antes de pular, seu cérebro garante que você está amarrada, que todo equipamento foi checado três vezes, que o seu salto é o de número 269 mil e que o “brinquedo” não tem um registro sequer de acidente desde quando foi inagurado em 1991. E DAÍ?

.

Depois que você pula, tudo o que seu coração sabe é que está caindo e que aquele rio lindo láaaaa embaixo vai virar asfalto quando você chegar lá. São frações de segundo violentas… e está mentindo quem disser que pensou nisso ou naquilo… a mente esvazia e o coração acelera tanto que quase pára. E exatamente aí a coisa mais incrível do bungy acontece. A corda chega no limite e ao contrário de todas expectativas do seu corpo, do que a sua emoção sugeria, você é catapultada de novo pra cima e o seu cérebro solta pro seu coração um sonoro clichê: “eu não falei que era seguro?” – Pra mim a diversão começou ali. Abrir os braços e me “largar” no ar foi a sensação mais libertadora que já experimentei. Mais que sair correndo pelada na grama em dia de chuva. Mais que uma barra de chocolate depois de 3 meses de dieta pastosa. Mais que a alegria de achar uma nota de 50 que você esqueceu no bolso da calça justo quando você não tem um centavo. Mais que sexo em local público. Mais que qualquer coisa… sério.

Quando acabou, ainda presa de cabeça pra baixo, esperando o “resgate” eu estava pronta pra sair nadando, correndo ou porque não, pular de novo. Eu estava tão eufórica que não conseguia parar de falar e horas depois fiquei com vergonha de imaginar a dupla do bote rindo de mim e lembrando que eu simplesmente não conseguia calar a boca.

.

Assistindo ao vídeo à noite percebi aquele tico de hesitação (que passou batido pra quem achou que não pensei duas vezes e me joguei). Tudo tão típico de mim, já que apesar de vender e me aproveitar da idéia de que me jogo sem pensar, eu sempre hesito. Acontece que um segundo de hesitação não necessariamente significa pensar sobre o assunto e decidir. Na maioria das vezes, hesitar é a forma mais eficaz de auto incentivo. Hesitação foi muitas vezes no meu dicionário sinônimo de covardia. Mas não é… e talvez essa seja uma das lições mais valiosas que tive.

.

Porque você não vai estar sempre amarrado por 5 mosquetões; Porque nem sempre o bote tá ali embaixo pra te resgatar (mesmo no meu caso que tenho amigos que são genuínos coletes salva-vidas); Mas principalmente porque nem sempre a corda vai ser forte, esticar e te jogar pro alto. A queda é livre e algumas cicatrizes são pra sempre. Substituir hesitar por me permitir dois minutos a mais pra decidir (e até recuar se for preciso) é a minha mais nova aventura.

Abrir os braços e pular? De bungy jump? Anytime.

Bullying, bullying bullying…

Oriental Bay

Coisa mais chata é ficar sem assunto. Não… minha vida não está desinteressante nem tediosa, está normal. No mundo, bem…até tem assunto, mas pensa bem, vou dar espaço pra que(m) aqui? Para Maria Biscate que acha que ficou milionária (acha né, porque ninguém fica milionário com 1,5 milhão… manda avisar!) Para o louco que 12 anos depois resolveu reproduzir o massacre na Columbine High School em terras Brasileiras? Melhor, para os loucos que acham que a gente não tem nenhuminha parcela de responsabilidade no que ele fez? Não vou entrar nesse mérito, jurei que não, mas me espanta o Diretor do colégio bradar que nunca houve nenhum registro de violência no colégio e na mesma matéria assistir aos antigos colegas de classe desse sociopata dizerem que enfiaram o garoto na privada e deram descarga quando ele tinha 14 anos e estudava nesse mesmo colégio. Querido diretor, se isso não é violência… por favor me explica o que exatamente entra na sua listinha de atos violentos? Precisa matar pra chamar atenção? É isso que você está dizendo querido diretor? Tudo errado… o vídeo mostrando a professora saindo correndo largando todos os alunos sozinhos dentro da sala com o assassino. Sei que a Sra não ganha pra isso Tia, mas se alguém ali tinha a chance de conversar com ele, se alguém ali podia realmente ter feito alguma coisa, com todo respeito, era a Sra., gritar “corre que ele vai matar todo mundo” sinceramente… não foi o que a Sra deve ter aprendido nas aulas de pedagogia. Tá bom… nem deve ter aula de “como agir em caso de ataque” e além do mais eu disse que não ia comentar. Minhas opiniões são polêmicas e eu raramente desisto de um bom debate (argumento é coisa que quase nunca me falta). Ah mas tem o casamento do Principe William. Vambora comentar? Bem… não. Definitivamente não.

Sunset

Mas e bullying? Bullying é legal de falar, sabe porque? Porque é um assunto que eu conheço. Eu fui obesa, usei óculos e aparelho ortodôntico, pais separados, criada pelos avós… na boa, poucas pessoas eram mais propensas a sofrer bullying na vida como eu!!! Pô, mas se eu pensar bem, ponto pra mim, eu tirei de letra. Eu “desenrolava” na simpatia… os meninos não prestavam atenção em mim? Beleza, eu me tornava aquela q fazia a ponte entre eles e as meninas. Afinal, qual moleque ia zoar com aquela que justamente ia ajudar a “adiantar” o lado dele? Minha vida inteira eu fui aquela “altamente zoável” mas dificilmente zoada porque eu era, puta que pariu, eu era legal pra cacete. Quem vai zoar a representante da turma? A presidente do grêmio? A maluca que com 15 anos se empuleirava na arquibancada do Maraca no meio da Raça-Rubro Negra? A única menina que treinava com o time de handball masculino? Ponto para a minha família que sei lá de que jeito conseguiu plantar em mim a certeza de que dava pra sobreviver as “incríveis maldades” as quais se é submetida na adolescência. Quando você ouve muitas vezes que seu avô vendia laranja na feira aos 7 anos de idade, que na adolescência usava papel de pão como caderno só pra não parar de estudar e que aos 50 podia se dar o luxo de depois de criar as filhas dele ainda criar você… bem, você aprende que ser zoada na escola dá sim pra tirar de letra. Bom, na verdade o ponto não foi bem pra mim, né? Ponto pra eles.

Island Bay

Tem bullying aqui na Nova Zelândia? Claro que tem, tem em todo lugar… apontar as diferenças, se agrupar entre os “iguais”, se sentir inferior por não se encaixar… tudo isso é premissa básica de ser ou ter sido criança. A criança não tem “filtro”. Mas adulto tem (ou deveria ter), acontece que no Brasil (e alguns outros países como os Estados Unidos) a gente não usa. Se o seu vestido é bonito, a segunda frase sempre é: “É de onde? É de quem? É da minha casa, é meu porra!”. Poucas são as pessoas que verdadeiramente não ligam pra isso… Brasileiro gosta de ostentar e eu confesso que fiz parte ativa dessa turma. Gente, sério, tem coisa mais fofa que fusquinha? Precisou o Wagner Moura sair com o dele pelas ruas de botafogo pra “fuqueta” ganhar o respeito e o carinho merecido! Alguém cool precisa atestar que aquilo é cool…do contrário…o que vão pensar de mim?

Civic Square

É UM SACO! Viver assim é ruim… ser avaliada por homens, mulheres e amigos do trabalho não pelo seu trabalho, mas por quantas vezes você usou a mesma calça jeans na mesma semana é um porre! Ter que estar “up to date” com o mais novo lançamento da apple ou da blackberry é um desperdício de dinheiro inacreditável! Estar em dia com as dicas tipo maxi dress, mini dress, ankle boots, boots, rasteirinha, all star… é uma canseira e um gasto de energia que só agora me dei conta de que (esteticamente) eu poderia ter me moldado do jeito que eu bem quisesse. E foi aqui na Nova Zelândia que aprendi isso. Claro que ter que pagar o aluguel no final do mês ajuda a você enxergar algumas prioridades, mas não é só isso. Aqui, juro, dá pra sair vestida de bailarina (com tutu e asa negra da Natalie Portman) e nada, nada vai acontecer. De um jeito que até incomoda porque se você quer sair vestida de bailarina, é LÓGICO que quer chamar atanção. Se tiver aqui, desista.  Sabe porque? O Kiwi não repara, e … pode abrir a boca: não ostenta. Seríssimo… é impossível dizer quem tem grana e quem não tem (no Brasil também não né, já que o coitado fica com a geladeira vazia pra pagar o carnê do audi). É uma coisa linda de se ver… o Kiwi não sente inveja, não compete com você. Ele vive a vida dele e te permite viver a sua do jeito que você bem achar melhor.

E… eu acho que acho melhor viver a minha vida por aqui mesmo. 🙂

Nota de rodapé: 06 de junho tô aí… 18 dias contados. Vamos começar a montar essa agenda!

Impulso (Ahh Clarice…)

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. […] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Clarice Lispector

Medo de Terremoto

Eu tenho medo de um monte de coisa: Medo de sapo (pavor), tiro nas costas (vidas passadas, sei lá…) e de torcer o pé (Já torci o pé parada dentro do elevador). Tenho medo de morrer e não encontrar minha irmã me esperando “do outro lado”. Medo de não ter filhos, de só ter um filho, de não poder ter filho (tá, mais paranóia do que medo). Medo de voltar a ser obesa. Medo de perder meus avós, da minha mãe nunca se acostumar a ficar sozinha ou do meu pai se acostumar com a solidão. Medo de nunca conseguir retomar algumas coisas de onde parei. A lista é grande e pode acrescentar agora mais um aí:

Medo de terremoto. Não me levem a mal, mas eu fui criada ouvindo que a gente deve respeitar a Natureza.

A prerrogativa dela (da Natureza) é a de que eu vivo e usufruo de sua casa e todos os serviços e facilidades que ela me oferece. Minha parte no trato é manter a casa em ordem fazendo coisas como separar o lixo e não usar produtos que destroem a camada de ozônio. Estou longe de ser radical, mas eu vou além respeitando e tomando pra mim alguns rituais de boas maneiras como pedir licença pra entrar no mar e me desculpar ao arrancar uma flor do jardim. Fazer a maluca e abraçar árvores ou correr pra tomar banho de chuva também são  minha maneira de dizer que sou grata pela “hospedagem”. Hoje mais do que nunca, já que a vida me deu o privilégio de morar num lugar incrível (saca aquele aposento preferido da casa, onde tudo é decorado com mais carinho e zelo? Pois bem,  se a Terra fosse uma casa, tenho quase certeza que a Nova Zelândia seria esse aposento).

Mas o que a gente faz quando a proprietária aterroriza a vida de inquilina?

Você sabe o que tem que fazer em caso de terremoto? Corre pra debaixo da mesa ou pro batente da porta, usa sua roupa pra cobrir o rosto por causa da poeira e se segura.  Acontece que os 3  terremotos que vivenciei foram de, em média, 4 segundos. Então, faz a conta comigo: só pra me tocar que era terremoto eu levei  2 segundos, no segundo seguinte eu respirei fundo e no último segundo quando eu finalmente tive o impulso de levantar e me proteger, o negócio já tinha acabado. Ou seja, pra concluir o famigerado “drop, cover, hold” e provar minha competência no quesito instinto de sobrevivência eu precisaria de um terremoto de pelo menos uns 10 segundos (o que certamente me materia de infarto lá pelo segundo de numero 5).

Terremoto é o mais triste e aterrorizante fenômeno da natureza. Pensa bem, tsunami, furacão, enchente… Para tudo isso tem alerta, previsão metereológica, construção de barragens, abrigos subterrâneos… Agora, sinceramente, o que o sismólogo faz mesmo?  Ele não prevê terremoto, ele estuda aquele que já aconteceu. O negócio brota da terra, nasce lá por baixo, seu olho não enxerga, não tem forma, acontece por debaixo de onde você pisa, te desequilibra.

2 meses atrás o Rio de Janeiro perdeu quase 1000 pessoas nas enchentes da Região Serrana. Uma tragédia anunciada que vem se repetindo anualmente e cada vez pior. Ninguém desabita os lugares mais propensos a sofrerem ano que vem novamente, ninguém insere treinamento nas escolas para as crianças, o governo ainda não pagou as familias desabrigadas (Ah! Mas o dinheiro pra cobrir o prejuizo com os barracões das escolas de samba que pegaram fogo já saiu sim senhor!), não se fez quase nada além de resgatar os corpos dessas pessoas.

Christchurch sofreu um terremoto em Setembro do ano passado e cinco meses depois quando aconteceu novamente, um prefeito de camiseta, calça jeans , capacete e uma cara de quem não ia dormir pelo resto da vida veio através de todos os meios de comunicação dizer que tinha dado tempo de todos os seguros serem renovados.  Tem uma semana que eu não vejo nada a minha volta além de solidariedade e ideáis notáveis para lidar com tragédias como essa. Famílias oferecendo quarto e comida em suas próprias casas. Comerciantes revertendo suas vendas. Eventos sendo cancelados e consumidores doando o valor dos ingressos mesmo tendo direito a reembolso. Tem uma semana que eu assisto o profundo respeito com o qual a situação tem sido tratada não só pelos administradores do país, mas por cada cidadão. Hoje eu cheguei no trabalho e recebi uma bolsa com um litro d’água, barrinhas de cereal, proteina, luvas, sinalizador, apito e máscara. Junto um recadinho : “Pra ficar embaixo da sua mesa, todo o tempo .“

Sim, eu tenho medo de terremoto. Mas eu tenho mais medo de descaso e cá entre nós, hoje eu vivo no aposento mais bonito da casa.

 

Nota de rodapé: 1) Jú, feliz aniversário. Te amo! |

2) Oi Prima Michelly. Dá pra deixar um comentário por favor? 😛