Terremotos em Wellington

Terremoto 21 Julho - Prédio do BNZ

Terremoto 21 Julho – Prédio do BNZ

Não dá pra esquecer dos terremotos do último final de semana. Como eu moro em prédio e no alto (13º andar), a gente acaba sentindo mais o impacto do que quem está no chão, pois a estrutura dos prédios foi mesmo feita para “chachoalhar” durante um terremoto. A sequência de terremotos começou na sexta-feira dia 19  pela manhã (5.7), outro no dia 21 de manhã (5,2) e finalmente no domingo a tarde o mais forte (6,5) que deixou a cidade toda meio assustada. Agora vários aftershocks já aconteceram e já somam quase 2.000 (1/5 deles imperceptiveis). O primeiro eu estava no trabalho e me enfiei debaixo da mesa enquanto meus colegas riam da minha cara (eles se divertem com o medo que eu tenho), o segundo eu e Rodrigo ainda estávamos na cama… nos abraçamos e ficamos ali quietinhos no estilo Titanic (hahahaha). Mas o fortão não foi legal não… Rodrigo estava no trabalho e eu estava sozinha em casa… tinha acabado de levantar pra fazer uma sopa pra mim quando ouvi o barulho (é, faz barulho antes)… daí lembro ter me segurado debaixo do batente da porta e de ver as portas do armário e as gavetas da cozinha abrirem e começar a cair coisas… lembro que olhei pra uma estantezinha de livro que temos na sala e os livros no chão. Assim que acabou de tremer Rodrigo ligou… peguei passaporte, dinheiro, celular, chave e sai… descendo as escadas ficava fazendo o mantra “por favor não tropeçar” por conta de pedaços de cimento e placas de tinta no chão – Rodrigo largou tudo no restaurante e foi me encontrar na rua. Eu de pijama e roupão com a uma cara de quem tinha visto uma multidão de fantasmas. Tomamos um café, demos uma volta e ele voltou pro trabalho.

Nos minutos que se seguiram alguns amigos queridos  aqui de Wellington (e outras cidades tb aqui na NZ) via twitter ou facebook mandaram uma mensagem de “vem pra cá” e acabei indo pra casa do Yousef (quase um irmão pro Rodrigo), lá fiquei em um grupo grande conversando, vendo filme e acabou distraindo até o Rodrigo chegar… mas como não queria voltar pra casa de jeito nenhum com medo dos aftershocks, dormimos lá por dois dias. Encasquetei que não voltaria para o prédio até que um relatório oficial de engenheiros estruturais saísse. Mandei um email pro proprietário do apartamento e pedi que ele me mantivesse informada.

grabandgo

Grab & Go Kit

Nessas horas a gente pensa que não tem kit the primeiro socorros decente, que não tem uma mochila com o básico pra se safar num momento de um terremoto, que você não tem reserva de água… a história do cadeado na porta depois que já foi arrombado. Comprei tudo essa semana: agora temos um Grab& Go Kit – (que literalmente significa “pega e vai”, kit de primeiros socorros, comida de latinha e reserva de água).  Montei um kit pra todos os funcionário aqui da empresa e agora todo mundo tem tudo o que precisa se um terremoto mais forte acontecer no escritório também.

Bom, na segunda-feira a recomendação foi a de que ninguém saísse de casa, então trabalhamos remotamente e a cidade passou por uma inspeção da Defesa Cível e pela limpeza de vidros e reboco que cairam das fachadas. Algumas ruas foram interditadas mas já na terça tudo parecia normal e o tal do relatório do meu prédio saiu com a garantia que os danos que a gente via no prédio era apenas cosméticos (tinta, piso…). Fuçando mais, descobri que o meu prédio é um dos únicos 3 em todo Wellington que atende a 100% das exigências com relação a terremotos. Pra você ter uma idéia, pra um prédio ganhar o “green stick” tem que cumprir 37% das exigências. Então no fundo acho que o Rodrigo tem razão quando ele me disse depois que eu enlouqueci querendo me mudar, que provavelmente o lugar onde mais estamos seguros é no nosso prédio, mesmo que sacoleje a gente.

Terremoto 21 Julho

Terremoto 21 Julho – Porto

Nas primeiras 24 horas bateu aquela vontade de pegar o primeiro avião pro Brasil. Daí a gente pensa… bom, plano de saúde pro meu parto e pra Zoe no Brasil? Arrumar emprego? Alugar um canto? Estaríamos mesmo seguros? E deixar esse lugar que a gente tanto aprendeu a amar? Na terça saí do trabalho, cheia de coragem e voltei pra casa. Coloquei tudo de volta no lugar, joguei fora o que quebrou, liguei a TV e fui me distrair assistindo as programas que tinha deixado gravando na sky. Ontem cheguei do trabalho e me aventurei num bolo de laranja… É a vida voltando ao normal.

Quando o Rodrigo chega dá aquela sensação de alívio de não estar mais sozinha.

Se um dia você vivenciar um terremoto, por favor, JAMAIS faça o que essa moça no vídeo fez. Além de ter corrido o risco de se machucar, ela virou piada nacional aqui… tadinha…

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8 comentários sobre “Terremotos em Wellington

  1. Bom dia, li seu blog e queria poder manter contato com você para tirar algumas dúvidas. Achei espetacular a forma como você saiu do Brasil em busca de uma nova aventura, em outro país. A minha dúvida é muito a ver com o emprego e estudo na nova zelândia. Por exemplo, estou fazendo Engenharia Civil no Brasil, mas desejo estudar fora e se possível morar fora também. E a nova zelândia é um país que eu sempre admirei e me identifiquei bastante. É dificil arranjar emprego como Engenheiro Civil? É mais fácil ir formado e conseguir viver bem ou o ideal é se formar ai mesmo no País?
    Não sei, tenho várias duvidas hahaha. Se possível, não sei se você ainda acessa o seu blog, mas meu email é robson.castro.serafim@gmail.com.

    Se possível, eu iria agradecer o contato, tenho tantas dúvidas. Obrigado, e seus textos são espetaculares.

    • Oi Robson,

      Muito obrigada pelos seus comentário sobre o blog (ele anda tão abandonado). Super desculpa pela demora… Esse foi meu primeiro ano no papel de mãe e sobre muito pouco tempo pra outras coisas se não ela. Acho que o primeiro passo é saber se você realmente está disposto a vir. O investimento é grande, emocional e financeiro. Se você tem como investir numa mudança dessas hoje antes de se formar e se tem o inglês afiado (você vai ter que fazer o IELTS) vir estudar aqui é uma maneira garantida de conseguir um visto de estudante, no qual você pode até trabalhar por meio período.
      Se você precisa de fôlego (e dinheiro) pra mudar a vida de cabeça pra baixo, o indicado é você se formar aí mas sempre tendo em mente que curso como o seu, e outros como medicina ou direito podem ser bem diferentes em outros países. A profissão de Engenheiro Civil é muito procurada aqui, muito mesmo, mas acredito que no Brasil as matérias sejam um pouco diferente, então você mesmo que formado, vai ter que cursar algumas matérias aqui pra conseguir transferir o seu diploma.
      Esses são os sites que vão te ajudar: http://www.ipenz.org.nz/IPENZ/Registration/?utm_source=newzealandnow.govt.nz E http://www.nzqa.govt.nz/qualifications-standards/international-qualifications/get-international-qualifications-recognised-for-immigration/ BOA SORTE! 😉

  2. Enfim…. Acho que no primeiro momento qualquer mãe se assusta, a vontade é de trazer de volta. Principalmente quando se está acordando calmamente de um cochilo de Domingo, onde eu acredito que nem meu espírito tinha retornado totalmente em meu corpo, ainda estava em desdobramento, até porque estava acordando de um sonho estranho, peguei o celular e vejo que alguém deixou uma mensagem no face, e abro e o que era?….. Logo o que se pensa é que quem está tão longe, engana quem está do outro lado do mundo para não assustar, mas depois com o tempo passando, e se orando muito vamos nos acalmando e nos conformando com a situação, pois sabemos que a escolha foi da pessoa e não nossa, isso nos traz uma maior tranquilidade, afinal se tiver que acontecer algo, não teremos pelo menos a consciência pesada, de termos participado ou ter incentivado a ida de quem amamos para este lugar. Claro que mãe irá se preocupar aqui, ou em qualquer parte do mundo, umas mais, outras menos, depende de cada mãe, visto que temos até mãe que joga seu filho que nasceu no lixo, então…. cada uma reage de formas diferentes, e somente vivenciando é que podemos saber julgar o que o outro pode sentir, e com ressalvas, pois como disse, cada uma reage de uma forma diante da tragédia, seja ela provocada por qualquer intervenção externa, até mesmo uma cirurgia, uma doença, uma pedra que cai de um prédio na cabeça de uma pessoa apenas, onde se encontra mil cabeças ao redor dessa, mas a pedra caiu encima de uma pessoa apenas… Aqui no Brasil é difícil e sei que realmente cada vez mais se torna insuportável as coisas que ocorrem, a falta de educação do povo e por aí vai, mas a sensação de não poder correr para ajudar, a impotência diante da distância é que incomoda. Não sei falar por outras mães, mas eu pelo menos, nem mesmo telefone me satisfaz, eu quero estar perto. Eu senti isso quando estava no CTI e apesar de estar em choque, ouvia os profissionais dizerem que eu ia morrer, e sendo da área da saúde, ouvir toda aquela correria e o uso das palavras técnicas, que não eram indiferentes para mim, me faziam pensar que estava indo mesmo para o outro lado da vida, e a sensação de não ter ninguém que me conhecesse, me amasse ali perto de mim, me angustiava ainda mais. Talvez abraçada com o Rodrigo ou perto de você, o seu medo pode ter amenizado, Graças à Deus, você pode contar com ele e ele com você, e isso para mim, é importante, a partir do momento que sei que tem alguém ao seu lado que te ama, e vice-versa. Assim como vocês estarão se acostumando com este fenômenos da natureza, eu aqui também irei me acostumar, o ser humano é capaz de se adaptar a qualquer situação, seja ela ruim ou boa, as vezes até a boa me assusta mais do que a ruim, talvez pela profissão que abracei, ou pelas minhas experiências de vida, quando vivo algo bom, acho até que será a última vez que viverei aquele momento, por ter me adaptado ao que é ruim, e você aí foi difícil me adaptar, mas já me acostumei, agora falta me adaptar com os terremotos, isso também vou me acostumar …. Só sinto um pouco por que a escolha da NZ, apesar de ser segundo vocês, o melhor lugar do mundo para se morar, penso na dificuldade de pelo menos vocês poderem estar nos visitando, ou vice-versa, isso me soa como um distanciamento proposital, e me incomoda, sei que pode ser coisa da minha cabeça, mas já entreguei nas Mãos de Deus, afinal não cai um fio de cabelo de nossas cabeças que não seja com a permissão dele, e seja lá o motivo que levou vocês escolherem Nova Zelândia, o importante é vocês estarem felizes, com terremoto, ou sem terremoto, cada um é responsável por suas escolhas, e o que não tem remédio, remediado está….. Deus abençoe vocês três……Bjs

    • Toda vez que tento responder, acabo escrevendo muito, clico no botão errado e perco tudo. É a quarta vez que tô tentando… acho que o universo não quer q eu escreva o que eu ia escrever…

      Então resumindo, sim estamos muito felizes aqui. Hoje Wellington é nossa casa, amanhã pode ser a França, o Canadá, o Vietnã ou até mesmo o Brasil novamente (onde a carreira do Rodrigo nos levar…).

      E pela milésima vez: Não, não mudamos pro outro lado do mundo para nos distanciarmos de você… mas certamente a sua não aceitação da minha resposta vai algum dia se tornar um dos motivos para continuarmos longe porque é muito chato contra-argumentar a mesma afirmação sem sentido durante 3 anos.

      Você estava sozinha no CTI porque as visitas são limitadas a número de pessoas e a horários restritos… mas você nunca esteve “sozinha”. Não faltaram visitas nem cuidado durante esse periodo… meu ou da nossa família. Por favor, suas palavras fazem parecer que você estava abandonada num leito de hospital.

      De nossa parte posso afirmar que não vemos a hora de rever todos vocês no Brasil e principalmente para que vocês possam aproveitar Zoe… estou esperando ansiosamente por 2 meses de muita alegria, reencontros, risadas e celebração.

      Muitos beijos e se acalme.

  3. Como vc já sabe, eu não me assustei tanto quanto você nem minha casa chacoalhou tanto quanto a sua… mas nunca, em mais de 6 anos em Wellington e vários terremotos, me passou pela cabeça arrumar as malas e voltar pro Brasil. Tenho outros motivos sim pra querer voltar, mas medo de terremoto não é um deles. As chances de me acontecerem alguma coisa que me assuste/machuque/mate lá são infinitamente maiores que aqui! E mesmo durante um terremoto assim eu continuo com total consciência disso. Mas talvez eu é que não tenha medo de morrer mesmo, porque volta e meia tenho vontade de voltar mesmo assim! 🙂

    • Ihh Cris, eu tenho medo de terremoto mesmo, talvez um dia me acostume – talvez me mudando pra uma casa isso passe (é ruim mesmo aqui no prédio).
      Mas hoje por exemplo passeando pela cidade eu fiquei pensando nessa questão do que realmente é “segurança” e você tem razão, no Brasil vivo com outros “sustos”.
      Rodrigo é mais parecido com você, e a vontade dele de voltar pro Brasil bate (e passa) mas por motivos como a família e os amigos.
      Wellington é nossa casa e pelo visto vai continuar sendo… ainda mais agora com a pequena chegando em breve. Tenho a sensação de que as crianças são mais livres para andar de mão solta, descobrir e brincar por aí! Acho que essa “liberdade” no início da vida dos pequenos tão importante!!! 🙂

  4. Essa vontade q vc teve de vir p cá foi a mesma minha, Pensei, meu Deus me controla q vontade ir p NZ trazer os três rsrsrsrsrs Mas vc tá certa vai voltar só qdo quiser e se quiser um dia. Sua vida e de seu marido é aí. Deus há de proteger vcs. Mas se por acaso, só por acaso sentir vontade VEM LOGO!!!!!! Amo vcs bjks

    • A vontade de pegar as coisas e volta pro Brasil foi do susto sabe… impulso mesmo. Quando penso nos riscos que corro aqui diariamente e dos que correria se estivesse no Brasil, tenho certeza que estou onde deveria estar… ainda mais agora com a Zoe a caminho. Ficarmos com ela aqui é o que de melhor podemos oferecer em questão de qualidade de vida e liberdade… as crianças são muito livres aqui pra explorar, pra brincar e serem crianças.
      Risco a gente corre em qualquer lugar… estamos felizes aqui Dinda, não se preocupe!
      Beijos, amamos vc também.

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