Quando a lua de mel acaba.

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É… tem muu muu mmuuuuiiiittttoooo tempo que não escrevo e essa semana acho que descobri porquê. Depois que voltei de férias do Brasil e experimentei a sensação de ter voltado pra casa foi como se a fase de “lua de mel” com a Nova Zelândia tivesse acabado. Não de um jeito ruim, mas sabe quando uma relação amadurece? Aquele ponto que todo nós já passamos seja com aquele trabalho incrível, o(a) novo(a) namorado(a) ou ainda quando você muda pra um prédio/casa novinha e os primeiros meses são de absoluto encantamento até que um dia você vê uma injustiça no escritório, o namorado dá aquele arroto troglodita na mesa ou a pia da cozinha entope? Então. Você não vai se demitir, terminar o namoro e nem se mudar mas as coisas perdem um pouco do brilho… e está justamente aí o ponto que define o quanto aquilo significa para você.

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Imigrar para outro país não é fácil. E como tudo na vida, só vivendo pra saber. É meio como casamento: você precisa renovar aquele compromisso todo dia quando acorda. Reconhecer as coisas boas das quais teve que abrir mão e principalmente enxergar todas as ruíns que justamente te fizeram deixa-las para trás. Basicamente é carregar uma balança portátil no fundo da sua bolsa todo o tempo e refazer a equação sempre que um ponto negativo pipocar bem no meio da sua cara. E eles pipocam.

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O Rock In Rio mexeu muito comigo profissionalmente. Quem me conhece sabe o quanto me orgulho da minha profissão, dos lugares onde trabalhei e principalmente de ter no Brasil a chance de fazer todos os dias o que eu amo, o que pra minha sorte, vem a ser também o que eu sei fazer de melhor. Acompanhar de longe um festival das proporções do Rock in Rio e ter certeza absoluta que eu estaria de alguma forma envolvida com aquilo me pegou pelo pé. Foi no Rock in Rio em janeiro de 1991 que escolhi minha profissão, que comecei a sonhar com o que vem hoje a ser grande parte do meu curriculo e por consequencia de quem eu sou e de onde meu coração está. Ter tido a chance de trabalhar no Rock In Rio 2011 seria o momento “que meu sonho fez plin”. E isso me enfiou numa semana pesada de questionamento e incertezas.

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A indústria de entretenimento aqui (pra ser bacana) está em desenvolvimento e sinceramente não descobri ainda até que pontos os Kiwis estão determinados a evoluir nesse aspecto. Exemplo? Imaginem um Festival de Artes no Brasil com um calendário cheio de peças, exibições e workshops bacanas acontecendo no período de um mês. imagine agora que a Ticketmaster, a Ticketsforfun e a IngressoRápido abrissem mão da prerrogativa da exclusividade em nome de sei lá o que e todas vendessem ingressos para diferentes eventos desse mesmo festival! Aqui? Normal, tipo todo mundo perdido mesmo: consumidor não sabe pra onde ligar pra comprar o ingresso, funcionário doido sem saber quais eventos exatamente ele está vendendo, e o pior, você obrigado a indicar o concorrente se o consumidor perguntar se ele tem ingresso para determinado evento, afinal quem quer ficar mal com os produtores do Festival? Gente… se é complicado pra explicar, imagina pra fazer parte.

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Nessa hora, eu tiro a balança do fundo da bolsa e lembro que estou tendo a oportunidade de aprender do zero como desenvolver e gerenciar um negócio como esse (as lições do que “não fazer” são em sua maioria mais efetivas do que todas as outras). No futuro tudo isso pode me ser útil já que a tendência é mesmo continuar explorando a proposta das gravadoras de cobrir todas as frentes do mercado (Música em diferentes formatos / Venda de Shows/ Gerenciamento de Carreira…) e pq não ingressos? Mas “re-começar” requer um bocado de estômago, paciência e porque não, humildade. Não, eu não tenho problema com isso e jogo nas onze servindo cafezinho com a mesma desenvoltura que tomo uma decisão importante em nome da camisa que estou vestindo, mas sair da sua zona de conforto pode te angustiar às vezes.

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A verdade é que a balança pesa muito por aqui. Eu adoro a Nova Zelandia e os dias aqui sempre são de paz: 5 minutos andando estou no trabalho e mais 5 estou de volta, as estradas sempre levam a algum lugar incrível e não fico um dia sem aprender alguma coisa nova. Os motivos que me trouxeram para cá ainda são fortes vozes no meu coração insistindo que aqui é mesmo o lugar (afinal de contas eu tenho sonhos ainda maiores esperando para “fazerem plin”. Então, todos os dias de manhã eu renovo os meus “votos” e reafirmo o compromisso que assumi quando decidi vir pra cá. No final das contas sei que esse sentimento de fim de lua mel é bom, significa que a “vida real” começou.

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3 comentários sobre “Quando a lua de mel acaba.

  1. porra! a gente sabe que não seria fácil. Tentar fazer o que é certo, nunca é fácil. Mas pense dessa forma: é bom saber que o sabor do dia a dia não é amargo, nem melado.
    Vai dar tudo certo. Como você disse. É a maturidade do projeto.

    bju bi-cunhada

  2. Com certeza. Aprendi que só morrendo um pouco é que a gente abre lugar pra uma nova faceta da nossa vida nascer. Abrir o coração pros novos desafios é fundamental, e em última instância, renovador. A experiência vem de qqr maneira. Aproveita aí, o Brasil e tudo o que é teu, de realmente importante que vc deixou por aqui, sempre será teu. Bjs.

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