Medo de Terremoto

Eu tenho medo de um monte de coisa: Medo de sapo (pavor), tiro nas costas (vidas passadas, sei lá…) e de torcer o pé (Já torci o pé parada dentro do elevador). Tenho medo de morrer e não encontrar minha irmã me esperando “do outro lado”. Medo de não ter filhos, de só ter um filho, de não poder ter filho (tá, mais paranóia do que medo). Medo de voltar a ser obesa. Medo de perder meus avós, da minha mãe nunca se acostumar a ficar sozinha ou do meu pai se acostumar com a solidão. Medo de nunca conseguir retomar algumas coisas de onde parei. A lista é grande e pode acrescentar agora mais um aí:

Medo de terremoto. Não me levem a mal, mas eu fui criada ouvindo que a gente deve respeitar a Natureza.

A prerrogativa dela (da Natureza) é a de que eu vivo e usufruo de sua casa e todos os serviços e facilidades que ela me oferece. Minha parte no trato é manter a casa em ordem fazendo coisas como separar o lixo e não usar produtos que destroem a camada de ozônio. Estou longe de ser radical, mas eu vou além respeitando e tomando pra mim alguns rituais de boas maneiras como pedir licença pra entrar no mar e me desculpar ao arrancar uma flor do jardim. Fazer a maluca e abraçar árvores ou correr pra tomar banho de chuva também são  minha maneira de dizer que sou grata pela “hospedagem”. Hoje mais do que nunca, já que a vida me deu o privilégio de morar num lugar incrível (saca aquele aposento preferido da casa, onde tudo é decorado com mais carinho e zelo? Pois bem,  se a Terra fosse uma casa, tenho quase certeza que a Nova Zelândia seria esse aposento).

Mas o que a gente faz quando a proprietária aterroriza a vida de inquilina?

Você sabe o que tem que fazer em caso de terremoto? Corre pra debaixo da mesa ou pro batente da porta, usa sua roupa pra cobrir o rosto por causa da poeira e se segura.  Acontece que os 3  terremotos que vivenciei foram de, em média, 4 segundos. Então, faz a conta comigo: só pra me tocar que era terremoto eu levei  2 segundos, no segundo seguinte eu respirei fundo e no último segundo quando eu finalmente tive o impulso de levantar e me proteger, o negócio já tinha acabado. Ou seja, pra concluir o famigerado “drop, cover, hold” e provar minha competência no quesito instinto de sobrevivência eu precisaria de um terremoto de pelo menos uns 10 segundos (o que certamente me materia de infarto lá pelo segundo de numero 5).

Terremoto é o mais triste e aterrorizante fenômeno da natureza. Pensa bem, tsunami, furacão, enchente… Para tudo isso tem alerta, previsão metereológica, construção de barragens, abrigos subterrâneos… Agora, sinceramente, o que o sismólogo faz mesmo?  Ele não prevê terremoto, ele estuda aquele que já aconteceu. O negócio brota da terra, nasce lá por baixo, seu olho não enxerga, não tem forma, acontece por debaixo de onde você pisa, te desequilibra.

2 meses atrás o Rio de Janeiro perdeu quase 1000 pessoas nas enchentes da Região Serrana. Uma tragédia anunciada que vem se repetindo anualmente e cada vez pior. Ninguém desabita os lugares mais propensos a sofrerem ano que vem novamente, ninguém insere treinamento nas escolas para as crianças, o governo ainda não pagou as familias desabrigadas (Ah! Mas o dinheiro pra cobrir o prejuizo com os barracões das escolas de samba que pegaram fogo já saiu sim senhor!), não se fez quase nada além de resgatar os corpos dessas pessoas.

Christchurch sofreu um terremoto em Setembro do ano passado e cinco meses depois quando aconteceu novamente, um prefeito de camiseta, calça jeans , capacete e uma cara de quem não ia dormir pelo resto da vida veio através de todos os meios de comunicação dizer que tinha dado tempo de todos os seguros serem renovados.  Tem uma semana que eu não vejo nada a minha volta além de solidariedade e ideáis notáveis para lidar com tragédias como essa. Famílias oferecendo quarto e comida em suas próprias casas. Comerciantes revertendo suas vendas. Eventos sendo cancelados e consumidores doando o valor dos ingressos mesmo tendo direito a reembolso. Tem uma semana que eu assisto o profundo respeito com o qual a situação tem sido tratada não só pelos administradores do país, mas por cada cidadão. Hoje eu cheguei no trabalho e recebi uma bolsa com um litro d’água, barrinhas de cereal, proteina, luvas, sinalizador, apito e máscara. Junto um recadinho : “Pra ficar embaixo da sua mesa, todo o tempo .“

Sim, eu tenho medo de terremoto. Mas eu tenho mais medo de descaso e cá entre nós, hoje eu vivo no aposento mais bonito da casa.

 

Nota de rodapé: 1) Jú, feliz aniversário. Te amo! |

2) Oi Prima Michelly. Dá pra deixar um comentário por favor? 😛

 

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10 comentários sobre “Medo de Terremoto

  1. Primaaaa Monicaaa! Que loucura que é o seu blog, seu diário.. seu coração digital! Sempre leio.. nunca escrevi porque sei la.. vai que você não se lembrava de mim, eu iria ficar frustada rs! Algumas lembranças eu tenho: quando eu ia pra casa da sua vó e ficava assistindo clip contigo.. New Kids on the Block!!!! era muio bom! ou festas de familia na casa da Tia Olga! Enfim.. eu amo suas palavras, você escreve de um jeito tão louco e intenso que, durante a leitura, sinto frio, sinto a brisa, sinto vontade de rir, fico emocionada… nossa! Muito bom essa querida internet que aproxima os que estão longe e guarda os que sentem saudades!

    Beijocaaas!

  2. Só para vc não dizer que não leio suas postagens….kkkkk
    Terremotos a parte….Acho ótimo vc ter medo…medo é um dispositivo que coibi alguns dos nossos impulsos que poderiam ser prejudiciais para nós ou para terceiros. Mas como vc disse não pode virar paranóia…ainda bem que vc tem essa consciência, portanto seus medos são bem normais….mas os terremotos, tsunamis, furacões e outros fenômenos terrestres ocorrem onde deveriam ocorrer, afinal vc sabe da minha convicção de que tudo é permitido por algo bem maior do que a nossa medíocre inteligência possa alcançar, uns chamariam de Ser Superior, outros de Oxalá e eu chamo de Deus! Êle nos coloca exatamente onde deveriamos estar para nosso melhor aprendizado….portanto hj eu sei que vc precisava estar aí e eu aqui! Infelizmente o Brasil tem um povo e políticos que se merecem e estão verdadeiramente onde deveriam estar, se há políticos que se beneficiam com as tragédias que acometem o Brasil, existem muitos brasileiros que se beneficiam das vendas de seus votos…Mas a solidariedade eu discordo com vc, somos sim um povo bastante solidário, mas como tudo na vida não podemos generalizar. Milhões de brasileiros se mobilizam para ajudar ao próximo, sem nenhum interesse, sómente pela vontade de fazer o bem, a grande maioria, que nem sempre se mostram para mídia se colocam a serviço do próximo nos momentos de tormentos alheios. Ainda bem que ainda temos alguma coisa que nos engrandece como Brasileiros!!!

  3. Mônica, infelizmente pertinho da Nova Zelândia tem as placas tectônicas, a linha de fogo do pacífico( Localizada entre as placas tectônicas do Pacífico e Indo-Australiana, a Nova Zelândia registra cerca de 14 mil tremores por ano, dos quais apenas 20 com magnitude acima de 5. ) onde são, se se podem dizer assim, comuns. Nada se pode fazer e os sismólogos podem até detectar que vai acorrer mas não dá para estimar a magnitude do terremoto, assim como ocorrem com os tornados. Mas a solidariedade e principalmente a responsabilidade dos governantes esses sim dá para prever. Aí funcionam, aqui nunca! bjs

  4. Xará, eu ri, imaginando você no segundo 3 se tocando que era um terremoto! Acho que ri de nervoso mesmo! Nossa, deve ser muito tenso vivenciar um fenômeno desse…. A sorte é que você mora no aposento mais bonito da casa, com vizinhos solidários e de enorme coração! Fica bem! Saudades ENORME!

    *agora, torcer o pé, parada dentro do elevador é demais hein?!!!!

    Beijos.

  5. Uma vez, eu li que quando tem um terremoto, o melhor não é ir pra debaixo da mesa não e, sim, abaixar do lado de uma cama ou do braço do sofá, de forma que sua cabeça fique abaixo do nível deles, porque, se cair o teto, por exemplo, o braço do sofá ou a cama vão te proteger, criando um ângulo vazio bem próximo a eles que vai te servir de abrigo. Deu pra entender? É como se o chão e a lateral do móvel fossem os catetos e o teto a hipotenusa, e você no meio de tudo, intocável. huahuahuauha

    Posso te contar uma coisa? Eu sou louca pra presenciar um terremoto, um furacão, um tornado e um vulcão em erupção de perto, mas também só queria se tivesse em total segurança, certa de que só vou VER mesmo.
    Sim, eu sei, não dá pra garantir essa segurança na maioria das vezes e é fato que também me bateria um puta medo na hora, mas eu tenho verdadeiro fascínio por fenômenos da natureza. FASCÍNIO!

    Graças a Deus, você tá bem e numa cidade verdadeiramente civilizada!

    Te amo!

  6. Ô Mônica! Até que enfim você escreveu!!! Estava preocupada com você, menina!
    Você está morando em Christchurch? Está tudo bem com você, com sua casa?
    Cuide-se bem, tá? Que Deus proteja a todos aí e que a mãe natureza fique mais calma… Asé!

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