Episódio de hoje: A CAMA

Essa final de semana eu me mudei. De novo. Um saco.

Resumindo a história: minha flatmate surtou e um dia avisou que ia voltar pros EUA e no outro (literalmente) eu estava sozinha no apto com a proprietária me perguntando se “tudo bem se ela aparecesse de vez em quando pra mostrar o apartamento para algumas famílias”, enquanto eu procurava por outra flatmate. “Problema nenhum” respondi… mas, escaldada que a gente vai ficando, fui também procurando um plano B pra mim. E acabei encontrando o plano B mais rapido do que consegui um flatmate ou que a proprietária encontrou uma família pra alugar o apartamento como um todo.

Vou pagar menos mas vou perder a vista da baía. Tudo bem. Meu quarto novo tem o dobro do tamanho e uma parede charmosérrrrriima toda de tijolinhos. A mudança vai ser de 50 metros (agora vou levar 1:30″ e não 2 minutos pra chegar no trabalho). Não tenho móveis, mas isso vai me dar a oportunidade começar a comprar minhas coisas (desculpa, mas a-do-r0 coisas que são MINHAS).  O outro apartamento é lindo, mas no fundo nunca me senti “em casa” tudo é bege e branco e combina com a decoração de qualquer hotel do mundo. Esse tem cara de “casa”. Não dá pra bancar ainda de morar sozinha, que era o que mais queria, mas minha flatmate (que é também a dona do apto) viaja o tempo inteiro, o que acaba deixando bastante espaço pra aumentar o volume do rádio e passear de calcinha pela casa numa frequência mínima necessária para eu não me sentir “estranha no ninho”.

Eu não me acostumei ainda com certas coisas na Nova Zelândia. Você paga um caução que representa sei lá 2% do que tem dentro do apartamento e no dia seguinte está com a chave na mão entrando e saindo enquanto sua flatmate viaja. Mas é assim que funciona. Isso pra dizer que peguei a chave e comecei a pensar em qual seria a primeira coisa “minha” naquele quarto e conclui que o lugar onde eu deito diariamente pra descansar, recarregar a bateria, chorar e sonhar de vez em quando merecia ser meu. Pagar 20, 30 dólares por semana pra dormir? Juro que não é pela grana… mas alugar cama não dá. Simplesmente não dá. Então comecei a saga do “trade me”. Trade Me é a versão Kiwi do Mercado Livre e onde acabei conseguindo comprar uma cama bacana com a entregar no endereço novo já incluida.

No dia e na hora combinada o vendedor da cama estava chegando na porta do meu novo endereço. Super simpático ele me agradeceu pela compra, tirou a base e o colchão da caçamba do carro, colocou em pé encostada na parede e… se despediu, entrou no carro e foi embora. Meu primeiro impulso foi catalogar mentalmente os meus contatos do telefone. Um segundo depois eu estava colocando a minha ficha pra cair de que não existe ninguém ainda que eu me sinta a vontade pra dizer: “aê, dá pra vc vir me dar uma mão aqui, que eu comprei uma cama e tá pesado pra caralho”. Foi triste perceber que já conheço um monte de gente mas que ainda não fiz nenhum amigo.

Hoje conversando com a minha Vó no Skype ela disse que eu sou “muito corajosa”. É eu sou… mas eu devia ser menos. Ser corajosa é algumas vezes ser estúpida o suficiente pra achar que todo mundo é igual a você. Que todo mundo quando tem vontade vai lá e faz! Não é assim. O medo muitas vezes é o sangue frio de pisar no freio da vontade e esperar sei lá o que por sei lá quanto tempo antes de ir lá e fazer. Acontece que o meu sangue é quente.

Mas foi bacana me convencer de que apesar de tudo, eu podia fazer isso sozinha. E eu fiz. Machuquei a mão, acordei dolorida, levei horas… mas a cama tá lá, simbolo máximo de que sempre dá pra se virar sozinha.

 

Nota de Rodapé: “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Clarice Lispector

 

 

 

 

 

 

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3 comentários sobre “Episódio de hoje: A CAMA

  1. Moniquete, flor, essa eh apenas uma das belezas de se morar no exterior: DIY – Do it yourself!! Como jah machuquei minhas maozinhas montando armarios, camas, prateleiras. Eh uma vida de gado, mas como deixa a gente mais forte e AINDA MAIS independente. A gente aprende a cozinhar – ou melhora a tecnica, a limpar casa – ou melhora a tecnica, a montar moveis, a pintar parede, a cultivar plantinha no jardim… Ate o dia que a gente ganhar na loto e pagar alguem pra fazer a parte chata pra gente (ou fazer por hobby).

  2. Brasileiro é assim, quando chega alguém abre os braços, recebe calorosamente qualquer um e por isso nos sentimos tão deslocadas em um país não latino. Mas se você não despertar amizade por aí ninguém mais o faria. Você tem um imã que atrai as pessoas e com certeza boas pessoas. Não desista, Você não foi precipitada, tanto não foi que está aí, trabalhando e levando a sua vida, senão já teria voltado. Tenho certeza que em meses você já deve ter amadurecido anos! E pode ter certeza também que se não fosse meus gatos já estava aí contigo faz tempo!
    Te amo!
    beijocas

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