1 kg de paciência. Urgente, por favor!

Tem uma semana que não escrevo nada no blog, mas longe de ser porque não tenho assunto. Não escrevo porque hoje sinto como se alguém (só por maldade) tivesse apertado o “pause” do meu projetor. Está tudo, senão parado, numa velocidade tão inexpressiva que se dá sono em quem assiste, imagine pra mim que tenho que criar do nada a panaceia toda.

A saga do visto continua, minhas perguntas seguem sem resposta (pelo menos uma que me convença de verdade), minhas respostas não enganam nem a mim nem ninguém e a vida continua me mostrando o preço das escolhas que fiz. Me sobra (e essa é a parte que mantém minha sanidade) a certeza de ter escolhido uma cidade na qual me sinto em casa, a sorte de sempre ter uma pessoa disposta a ajudar a fazer as coisas acontecerem profissionalmente comigo… e (meu deus obrigada!) MÚSICA. No ipod, no despertador, no youtube, no radinho da cozinha que vai comigo pro banheiro… Diariamente as músicas que ouço, enquanto assimilo as letras que canto em voz alta, me ajudam a acalmar o coração.

Windy Welly

Aqui na Nova Zelândia, você só pode aplicar para o visto de trabalho depois que receber uma oferta de emprego. Cheguei aqui no dia 10 de Junho (quinta-feira), dia 15 (terça) estava fazendo minha entrevista, dia 16  estava recebendo a carta com a oferta de emprego e dia 18 estava assinando o contrato. Dia 22 fiz todos os exames médicos e dia 24 estava colocando todos os documentos necessários num envelope e oficializei o meu pedido de visto de trabalho junto com o sinal da cruz e três pulinhos. Amanhã fazem DOIS MESES! E só posso dizer que sinto que finalmente essa angústia está acabando (e a essa altura eu quero é uma resposta seja ela qual for) porque tenho uma oferta de emprego de uma empresa que está brigando um bocado pra me ter. E principalmente porque na minha profissão fiz amigos de verdade. Foi uma correria de pedir documentos pra Sony, pro Clube, enquanto a empresa reescrevia formulários.  Deu orgulho de ver um time brigando pra você fazer parte dele, deu orgulho de ver que se você precisar os amigos da sua profissão não vão te deixar na mão e fiquei feliz de saber que meu trevo de 4 folhas continua no [mode on] quando o assunto é ao meu ofício.

Yummi!

Sim, eu tenho síndrome de Pollyanna e enquanto sigo tentando me convencer que sempre poderia estar pior, decidi que inventaria alguma coisa que pudesse materializar de forma metafórica tudo que espero pra mim. Comprei um livro sobre Muffins e Cupcakes, fui pro mercado e enchi as gavetas da cozinha de choco chips, farinha, açúcar, bicarbonato, forminhas e lacinhos… Ontem fiz minha primeira receita. Fiz ali, seguindo o livro direitinho… e deu certo! Ficou lindo, cresceu, ficou molhadinho por dentro, com casquinha por fora, cheiroso, bonito de ver, gostoso de comer. Mas… não consigo parar de pensar que na próxima receita posso fazer do meu jeito… colocar uns ingredientes diferentes, arriscar uns sabores, fazer umas coberturas especiais…enfim, eu sei de antemão que vou estragar tudo. Estou ciente de que a minha ansiedade pra colocar em prática todos os cupcakes e muffins que vejo na minha imaginação, vai me fazer inevitavelmente pular um monte de etapas. Vai ser um desperdício de ingredientes… Não sei ser de outro jeito, odeio seguir receitas mesmo sabendo que elas dão certo, não me encaixo em nenhuma fôrma. Desculpa.

Mommy’s!

Quanto a questão do preço que se paga pela decisão de ir pro outro lado do mundo, mandem avisar por favor a seja lá quem esteja me sacaneando que eu já entendi o recado e que minha resposta é não. Não vou desistir. Essa semana minha vó (aquela fofa que tem um post só pra ela…) vai fazer uma cirurgia. E eu tinha certeza que minha mãe ficaria tomando conta dela. A pegadinha é que: tem dois dias que minha mãe está internada com pneumonia e mais uma história aí que não to curtindo nada de plaquetas e leucócitos baixíssimos. Meu avô que briga todo dia com o joelho dele pra ficar de pé (literalmente) está encarregado das duas. E eu? Bem, eu quando recrio a situação na minha cabeça, me sinto uma filha (e principalmente uma neta) inútil, imprestável e ingrata. Então fico tentando não pensar no que eu podia estar fazendo e sim no que dá pra fazer enquanto estou aqui, que é basicamente rezar, me manter informada e o mais importante justificar diariamente a minha decisão de vir, fazendo por aqui o melhor que eu puder.

Elvis. Enough said.

PS: ‎”Some people believe in God, I believe in music. Some people go to church, I turn up the radio…” I’m making my prayers, saying good night and good morning every single day to this GOD!

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3 comentários sobre “1 kg de paciência. Urgente, por favor!

  1. Moniquinha, o “pior” jah passou: a coragem de largar tudo e sair da seguranca da nossa casa, atravessar o oceano, achar um emprego e receber uma oferta. Isso eh o maior passo da sua caminhada. O visto eh necessario, eh uma pedra no seu caminho, mas nao eh isso que vai te parar. Devem estar demorando porque ou eles tem muitas aplicacoes, ou sao lentos, ou soh checando cada detalhe mesmo. Eu sei que o que mais angustia nao eh o visto, eh ter o emprego e nao poder fazer nada a respeito e principalmente nao poder receber o salario para pagar as contas e aproveitar a vida. Mas voce saira dessa vitoriosa! Beijos e saudades!!

  2. Você escreve muito bem! seus posts me emocionam, parabéns!
    Apesar de se sentir inútil (algo que aconteceria comigo também), tenho certeza que sua mãe se orgulha muito de você, porque está lutando por algo muito dificil, para realizar um desafio, no fim tudo acabará bem, não desista de suas batalhas, seja forte!

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