Sentir é bom, mesmo quando dói.

… sinal de que você está na vida e que a vida está em você. Prova irrefutável de que você não desistiu, nem vai.

É ou não uma beleza?!

Esse é o chocolate quente que eu tanto falo e que embala esses posts: na verdade, eu uma vez comprei um que veio um coração, mas eu esqueci de tirar a foto. Qualquer dia eu vou pedir pra menina (que eu sei quem é que faz esses lindos) fazer outro de coração pra mim. Dá nem vontade de beber…

AGONIA | s. f. | s. f. pl. / 3ª pess. sing. pres. ind. de agoniar / 2ª pess. sing. imp. de agoniar / 1. Última luta contra a morte / 2. Fig. Ânsia, aflição / 3. Desfecho próximo (precedido de grande perturbação) ou pode trocar tudo isso ai por: sentimento que a Mônica tem experimentado diariamente nas duas últimas semanas. Esse visto de trabalho NÃO SAI… não importa quantas vezes por dia eu entre no site da imigração ou quantas vezes por semana a “moça do balcão” me atenda… o visto não sai. E isso dá uma agoooooniiiiaaaaaaa…  Quem convive comigo sabe o quanto eu posso ser ansiosa quando quero uma coisa. E eu quero esse visto. Aliás, hoje, posso dizer que é a coisa que mais quero no mundo depois da paz mundial. 😛 – Todo mundo me pergunta: “você fez tudo certo?”, “Qual o prazo que eles deram?”… Sim, eu fiz o que me pediram: exames de raio-x, sangue, urina, inspeção com uma médica que olhou até se eu tinha frieira entre os dedinhos do pé. Anexei documentos, todos (leia-se a carta com a oferta de emprego, o contrato assinado pela empresa, o meu formulário de aplicação pro visto, o formulário da empresa explicando e provando com outros documentos que eles procuraram por um profissional Kiwi antes de ocupar a vaga com alguém de outro país, fotos, meu curriculo… enfim, tudo lá em algum lugar onde alguém resolveu sentar pra esquentar o bumbum nesses dias de frio.

“Dilíça”

O site da imigração diz 45 dias. O próprio formulário diz 30 dias (completados no último sábado) mas a verdade é que a resposta sai quando eles tiverem afim e pronto. A empresa enviou um fax pedindo agilidade no processo, mas sei lá…nada aconteceu. A verdade é que todo imigrante que quer ficar dentro da lei (e aqui na NZ você não tem outra opção porque o país é micro e a burocracia funciona mesmo) passa por essas coisas. A diferença é que nem todo imigrante deve ser ansioso que nem eu. Não tem muito o que fazer a não ser cruzar os dedos e esperar. Parece que a vida fica em “stand by” sabe, não dá pra decidir nada porque é como se todas as outras coisas meio que por mágica passassem a depender daquilo. Acaba que tenho tido por companheiro aquele desagradável e inconveniente “se”. E pra quem adoras citações como eu: “Odeio o SE. Um dia mato todos eles. A vida não pode ser contada atrás de coisas que não chegaram realmente a acontecer.”

Manhã de Domingo

Ontem tive uma manhã de domingo incrível comigo mesma depois de uma semana muito difícil. Pela primeira vez tive que lidar com o sentimento de impotência por estar longe. Uma das minhas melhores amigas perdeu a melhor amiga dela assim estupidamente do jeito que perdi minha irmã Gabi. Mas foi ainda pior, foi nos braços dela e foi ainda pior, porque ela não teve tempo de dizer adeus. E pra mim foi ainda pior porque não pude retribuir o tanto que ela me deu de amor quando eu precisei. Estar longe “tem dessas coisas”, algumas vezes eu simplesmente não vou poder estar. Aí o que a gente faz? Aciona a mãe, o pai, os amigos em comum e tenta mandar um pedacinho de você e tenta pensar na pessoa com amor e como a Jú me ensinou envia “pacotes, bolhas de amor”.

Icy…

E quando finalmente eu consegui ouvir a voz da Dani foi como se ela tivesse ali no meu colo. E assim a gente vai se adaptando, aproveitando os domingos de sol, curtindo as coisas mais bobocas do mundo como ficar besta com o gelo cobrindo tudo de manhã e brincar de escrever igualzinho a gente cresceu aprendendo a fazer na areia da praia, além de perceber que de areia pra gelo, não muda muita coisa, nem mesmo os assuntos.

s2 Who Knows?!

E fechar o olho pra sentir o sol… sabe que nunca na minha vida achei que fosse esperar pelo sol como acontece aqui? Eu sempre fugi dele. A gente fez as pazes…eu e o sol. Tem até uma cara de poesia né. Logo eu que só sei fazer rimas bobas me metendo a poetisa.

E ver as crianças brincando atrás do Te Papa… já disse que esse país parece um teste de elenco para o próximo comercial dos Bichinhos da Parmalat? As pequeninhas quase sempre de maria-chiquinha torta, usam saião estampados de meias listradas em vários tons de rosa e galochas (de florzinhas) enquanto os meninos usam casacos tão acolchoados e coloridos que quase não se nota os olhinhos azuis contrastando com as bochecas rosas.  Todo mundo de patinete, patins, bicicletas… uma delícia. Energia boa de vida começando, de todas as possibilidades escancaradas na frente. E se você tiver atenta o tempo todo pra música como eu, sempre vai notar uma moça no violino, um cara solando pra ele na guitarra com um amplificadorzinho mixuruca do lado…

Lancha do Peixe

No mesmo lugar também tem uma feira com tudo tão fresquinho, e com uma barraquinha de CupCake que dá pra sentir o gosto só de olhar. As flores ficam arrumadinhas em pequenos buquês, e as várias barracas misturam aquele cheirinho gostoso de frutas e verduras fresquinhas. E você pode se aventurar num suco de maçã, laranja, cenoura e gengibre que é uma delícia enquanto fica uns 40 minutos só observando a mecânica de trabalho da turma da lancha do peixe, que como numa coreografia vai recebendo os pedindos, limpando e dando conta daquele monte de peixes incrivelmente frescos. Aliás, não costumo cumprir os muitos tratos que faço comigo mesma, mas dessa vez, no próximo final de semana faço um atum daqueles pra mim.
Nota de rodapé: “Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.” Clarice Lispector – Foi bom ter um anjo com quem chorar. Obrigada.

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4 comentários sobre “Sentir é bom, mesmo quando dói.

  1. Hey Monica, td bem?
    Nao nos conhecemos mas tive uma imeeeensa vontade de te escrever, mesmo dps de acompanhar alguns “posts” seus por aqui. Desculpa eu achar que eu tenho essa liberdade mesmo sem te conhecer, mas tudo que voce sente e descreve aqui no seu blog, eu ja senti e ainda sinto. Me identifico e muito! Ai pensei: pq nao escrever ja que o espaco existe??

    Bom, primeiramente gostaria de parabenizar pelo blog, pelo capricho. Nao existe opcao melhor do que isso pra nao perder o contato com os amigos e familia, expondo cada sentimento seu vivido. Assim eles podem sentir o que vc tem sentido, deixando eles mais pertinho de vc. Muito bom isso!
    Talvez eu tenha tomado essa ‘liberdade” de te escrever, pois nao moro no Brasil ha 3 anos e hj to morando na Australia, que por sinal, eh bem do lado de NZ. Essa sua angustia com o visto eu ja senti e muito… decidi largar tudo no Brasil pra aprender ingles na Australia. Mas no fundo, eu estava deixando tudo aquilo pra tras pra que eu pudesse ter o ingles e uma maturidade, precisava crescer pessoalmente. E foi na “marra” que eu ainda venho aprendendo. Nesse meio tempo, aprendi muita coisa (inclusive o ingles, rs) e ganhei um anjo na minha vida: um namorado-marido, que por sinal eh Kiwi. Estamos juntos ha 1 ano e 10 meses e dps de eu ter renovado meu visto de estudante por 3 vezes, enfim consegui pegar minha residencia atraves de nosso relacionamento verdadeirissimo, que seja bem explicito isso! rs..
    Mas essa angustia que vc esta sentindo com o seu visto, eu sentia todos os dias, pois a Imigracao australiana nao eh muito diferente em relacao a burocracia e o tempo de espera. Eh como vc falou, sua vida fica em “stand by” e vc nao pode fazer absolutamente nada a nao ser esperar. Eh um saco, mas eu posso te garantir uma coisa: no final acaba tudo ficando bem e isso foi so o primeiro passo, mas necessario pra vc aprender que os desafios da vida, pelo menos fora do Brasil, tb nao depende de vc.

    Outra identificacao, eh nao poder estar perto das pessoas que vc ama, e assim da mais valor a essas pessoas. Eu havia ido pro Brasil dps que eu estava aqui na Australia por 1 ano, quando revi todos os meus amigos e toda a minha familia. Fui de ferias ate mesmo pra me testar e ver como eu me saia no meu proprio pais. Foi otimo! Adorei cada semana que estive por la mas sabia que ia voltar, pois eu tinha data marcada pra recomecar minhas aulas por aqui. Em marco desse ano faziam 2 anos que eu nao via ninguem do Brasil. Falava sempre por telefone, internet, mas eu tinha decidido abrir mao de viajar pro Brasil nesse meio tempo pra poder conhecer outros paises. Ate q eu decidi voltar de ferias mais uma vez. Dessa vez a saudade falou mais alto. Comprei passagem, reservei passagem pra viajar com a minha mae pra Buenos Aires. Ela estava empolgadissima, contando os dias pra me ver. Quase 1 mes pra eu voltar, recebo uma ligacao da minha familia me informando que minha mae havia falecido. E hj, eu posso te dizer claramente que nada nessa vida eh pra sempre!!!

    E mais uma vez me pego na tal da identificacao com o teu blog. Eu sei exatamente o que vc sente quando nao pode estar ali pra apoiar sua amiga num momento tao dificil como esses.
    Bom, e hj, sendo um belo domingo de sol, tb aproveitei bastante as coisas mais bobocas, como sentar num parque e beber milk shake e observar as criancas mais lindas brincarem com suas bicicletas, etc.

    Bom, eh isso!! Te desejo toda a sorte do mundo e que NZ lhe traga todas as conquistas, pois batalhodora, vc ja mostrou que eh. Afinal de contas, nao eh facil largar as “origens” em busca de um sonho!!
    Bjo

  2. Só hoje consegui vir aqui. Taí um fato que me faz odiar essa correria que tá a minha vida… Fico com saudade dos seus posts e, quando tem, o trabalho rouba meu tempo. Enfim…

    Felipe definiu bem, turbilhão de sentimentos esse post, bem Mônica mesmo. E, sinceramente, acho isso ótimo, é a prova de que esse blog tá cumprindo bem o que se propôs. Ele aproxima você da gente, dá a falsa (ou talvez verdadeira) impressão de que você tá aqui do lado, me contando tudo isso, com a maior riqueza de detalhes que te é bem característica.

    Essa situação com a Dani mexeu muito comigo, serviu pra relembrar que a vida não é nada mesmo, que num dia tá tudo bem e no outro, PUF, acaba.
    É natural do ser humano sentir essas coisas quando perde alguém próximo, né? Mesmo que o tal próximo seja próximo é de um próximo seu. Ver uma pessoa que você ama sofrendo não é fácil, não.

    Sou muito fã do seu estilo de escrever. MUITO fã! Acho você a rainha das analogias e isso não é pra qualquer um. Às vezes, há uma dificuldade de se fazer entender no mundo real… Não no seu. Sempre entendo exatamente o que e o quanto você quer dizer. Acho isso incrível!

    Te amo, baby!
    Beijos

    • Sabe que não sei sinceramente se você me entende porque escrevo bem…. acho que é mais Rê. Acho que a gente sempre se entendeu. No olhar, no abraço, na gargalhada, nas lágrimas… sempre foi assim, mesmo sem nada escrito. E by the way, também sou sua fã, MUITO FÃ MESMO. Fã de como você encara a vida, suas escolhas, como tem sempre dando uma gargalhada depois de quase tudo que você diz. Sintonia baby…. sintonia… TE AMO!!!

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