Wellington…Cheguei!

Chegando em Auckland…

Momento imigração é sempre tenso né. Mesmo que você tenha seu visto em mãos, que você não tenha um pé de feijão nem um pedaço de salame escondido…. Mesmo assim é tenso. Na Nova Zelândia, os brasileiros não precisam de visto de turista para os primeiros três meses e depois, você pode estender esse visto por mais três. Mas… o país é deles e eles só deixam entrar quem eles acham que deve. E não estão errados. Mas a imigração em si foi bem tranquila, uma moça sorridente perguntou o que eu vim fazer aqui e quanto tempo pretendia ficar. – “Vim melhorar meu ingles, conhecer um pouco mais da cultura kiwi e ver meu namorado que está estudando aqui. A princípio, pretendo ficar por três meses ” – Ela me pediu a passagem de volta (emitida para setembro), e depois de mostrar, ouvi o barulhinho do carimbo no meu passaporte. Cheguei!

Esse é sem dúvida o momento mais legal em qualquer país. Todos os seus canais de percepção se abrem para experimentar aquela novidade. Cheiro, cores, a cara das pessoas, a publicidade, a arquitetura e principalmente pra mim, os sons. No aeroporto, o terminal de vôos domésticos é bem distante do internacional (de onde cheguei). Mas o compromisso dos kiwis em serem organizados começou a ser percebido por mim já nesse primeiro momento: Duas linhas paralelas (uma azul e uma branca) pintadas no chão te levam sem erro de um terminal ao outro. Durante essa caminhadinha conclui que se fizerem um censo, vão descobrir que a Nova Zelândia é um país de virginianos. Impressão essa que vai se confirmando ao longo dos dias.

E como há tentações por todo lugar, aqui também tem Coca Zero e Dunkin Donouts… eu sei que trouxe minha força de vontade pra dieta em alguma mala, mas como estava socada entre tantas outras coisas, me dei 3 dias de farra gastronômica. A viagem pra Wellington foi super tranquila: 40 minutos, dia de sol… nice welcome.

Solzinho na Oriental Bay

Do aeroporto direto para o homestay onde o Rodrigo está há 3 meses levou 5 minutos e chegando percebi que pelo menos nas próximas duas semanas vou viver numa casinha de boneca versão gigante. Lembra o comercial da Doriana? Foi gravado aqui! Mamãe, papai, 3 filhos, 4 gatos e 1 cadela. Todo mundo lindo, de bochecha rosada e sorriso no rosto. Kennedy, a única menina, que tem 10 anos já está no meu facebook se estiverem curiosos. Fácil lidar com criança porque ela me aparece no segundo dia com um pijama de flanela lindo pink de estrelinhas brancas que eu amei e perguntei onde comprava. Johnt o do meio, tem 14 anos e ama futebol, virou nossa companhia para os jogos da Copa do Mundo (embora eu tenha tentado em vão convence-lo, ele torceu pra Argentina contra a Nigeria). Beau é o mais velho (16) e ainda não bati papo com ele. Mas, ontem quando chegamos ele perguntou como havia sido e o que havíamos feito. Fofo.

Os gatos são um capítulo a parte. Quem me conhece sabe que amo gato. Adoro o ronronar deles e essa coisa independente de pedir carinho e ir embora quando fica satisfeito. Amo cachorro também, mas sei que é porque a carência constante deles me comove.

Windsor

“Windsor” é o cinza de pelo incrivelmente brilhoso, super na dele, parece um ancião e quando vai dormir enfia a cara nele mesmo de um jeito que parece uma bola de pelucia deliciosa.

Little Man

“Little Man” é o que menos vejo, preto e independente já deve estar de saco cheio de estranhos, afinal são 6 anos que a família Datson recebe estudantes do mundo todo.

Finn

“Finn” é um caso a parte, é LINDO!!! Branquinho, peludo, um olho castanho e outro azul. Parece a Marie do Aristogatas. Sabe que é lindo e por isso é muito charmoso, passeia entre a gente, permite um carinho de leve e só. Por enquanto, já que hoje até subiu na cama. E finalmente

Bruno

“Bruno” que é o mais sem vergonha de todos, magrelo, pelo curto, fucinho fino, só perde no quesito “ronronar mais gostoso do mundo” pra minha gatinha Niki. Você bate no sofa ele sobe, pula no seu colo e deita… é aquela velha história: como ele sabe que não é o que tem mais atenção das pessoas, ele acaba por compensar sendo o mais carinhoso. Ou seja, inteligente pra cacete.

Maggie. The Only Dog.

Maggie é a cadela. Eu não tenho certeza da raça, mas ela é preta, peluda, simpatica e bem presente. Deita na beira da cama, pede um carinho… mas sabe que acho que por conta do convívio com os gatos ela também não é de muito grude não. Ótimo assim.

As crianças tem seus próprios quartinhos, com decoração temática, o quintal tem uma cama elástica gigante e tudo é bonitinho e funcional. Mérito do Tim e da Espelth, os donos da casa. Tim é bonachão, está sempre de roupão e chinelo, simpatico, ex-DJ, tem mais de 3 mil vinis. É o responsável pelo dia-a-dia das crianças. Espelth é quem manda por aqui: Ativa, direta, ótimo papo, tem um mega instinto de mãezona. Gosta de tudo certinho, se preocupa com quem está hospedado em sua casa e tá sempre perguntando o que você gosta de comer e se você tem roupa pra lavar. Aquela que se você tiver num dia azedo vai falar: “putz que mulher chata” – por outro lado, é a que vai fazer você se sentir em casa e ter um gostinho de mãe por perto.

Assim que cheguei fomos ao Centro de Wellington. É uma bonita cidade. O frio de um vento cortante e apesar deestarmos na Oceania, se percebe facilmente aquela cara europeia de “eu visto e sou da tribo que eu quiser” que eu particularmente acho incrível. Um lugar sem fôrmas de bolo… Andamos um pouco a margem da Oriental Bay e fomos a um restaurante mediterrâneo. Excelente massa.

Não demorou muito para eu entrar no fuso de 15 horas (sempre tive facilidade de me adaptar a diferentes fusos). Dei uma acordada a 3 da manhã, mas consegui voltar a dormir numa boa. Ao acordar, Rodrigo já tinha ido pro curso e fiquei com a tarefa de sozinha me enturmar com “Mommy and Daddy” o que foi muito legal na verdade. Tomamos café, conversamos um pouco e fui pro ponto de ônibus porque estava na hora de encontrar o Rodrigo no curso para almoçarmos juntos (coisa melhor do mundo é saber o horário que o ônibus vai passar). Sei que ainda vou ficar umas duas semanas esperando o ônibus vir do lado contrário já que a mão aqui é inglesa. No mais, você pode comprar sua passagem na hora, atráves de cartão regarregável ou ainda comprar um cartão válido por todo o mês que você usa quantas vezes precisar. Os ônibus param em todos os pontos e tem suspensão que “desce” a escada de entrada para idosos, gestantes, deficientes… mas cuidado! Achei sinceramente os motoristas meio barbeiros… sobem no meio-fio, freiam do nada… tudo a incrível velocidade constante de 40km/h.

A variedade de restaurantes asiáticos é impressionante. Comida Japonesa, Chinesa, Coreana, Thailandesa… mas o mais engraçado foi entrar numa restaurante que diz servir comida Portuguesa, mas não tem bacalhau, as batatas são fritas e não cozidas e cheias de um pózinho laranja que parece pimenta com páprica e um arroz amarelo super

Comida Portuguesa. Sério?

condimentado, enquanto a música ambiente ia me remetendo a “Caminho das Indias”. É bom que eu esclareça que a minha indignação vem da minha descendência Portuguesa e da ótima mão da minha vó paterna para comidas tipicas lusitanas.

Depois do ardido almoço mas uma caminhada pela Oriental Bay já que o sol saiu e deu pra ficar deitada esquentando um pouquinho. Fomos a biblioteca da cidade e uau! Um self service sem burocracia a serviço de quem quer aprender.

Biblioteca

A noite, fomos a um restaurante Japonês (Kazu) onde um colega de curso do Rodrigo trabalha. Adorei meu japa e fiquei com uma certa inveja da sopa de macarrão dele. Depois de mais uma farra gastronômica fui “inaugurada” no meu 1o. Pub Neozelandes: Cerveja, sinuca e boa música. O ultimo item realmente fez diferença, já que, sinceramente, não tive muito assunto com os asiáticos da turma do Rodrigo e sou uma negação no esporte do Rui Chapéu. Faltou aquela galera boa de papo, engraçada… mas o Le Grand (ex-Shooters) cumpriu sua parte de me apresentar a um tradicional pub kiwi. A sexta-feira a noite aqui tem a mesma cara de sexta em todo lugar no mundo.

Kazu

Mesmo sem poder beber nas ruas, as pessoas estão pra lá de felizes (prova incontestável que estiveram bebendo). O ultimo ônibus pra casa passa as 23:45. O que me deu uma vontadezinha de morar no Centro de Wellington.

Sábado íamos ao futebol do Johnt mas foi cancelado e então fui dar uma meeeegggaaaaa caminhada de quase 3 horas de casa a Lyall Bay (onde eles tem um pedaço da faixa de areia chamado wuuf, wuuf Ruff onde os cachorros são livres pra brincar com os donos, entrar na água, rolar na areia… é engraçadíssimo), passando por Island bay (onde vi uma das coisas que mais me emocionaram na vida: algumas familias constroem bancos de praça em lugares onde a vista é linda e colocam uma placa em homenagem a alguem que faleceu – um jeito sublime de homenagear alguém é dando ao mundo a oportunidade de observar confortavelmente um belo por do sol por exemplo)  até o Centro de Wellington onde finalmente comi o famoso fish ‘n chips. A batata nem ligo, mas confesso que AMEI o peixinho empanado e frito. A noite de sábado foi agradabilíssima, pois Elspeth convidou uma amiga (Alissa) para o um jantar e além da chance de conhecer gente nova, treinar o ingles, ainda tomamos um bom vinho, comemos um belo quiche com salada de arroz selvagem e Alissa ainda fez um brownie que… jesus do céu!

Já vi lixo na rua, pichação nas paredes e gente pedindo esmola. Mas é assim, Rodrigo conhece os “pedintes” pelo nome!!! Literalmente. Ah, o senso estético no país é bastante duvidoso. Muita estampa, muito colorido, formas geométricas incompatíveis…. O que é antigo e rústico e lindo, o que tenta ser moderno acaba em sua maioria sendo muito cafona.

Hoje tem Molly Mallone, um outro Pub onde uma colega de curso do Rodrigo vai comemorar um aniversário. Acho que por enquanto só falta mesmo conhecer mais gente… essa viagem despertou em mim um pouquinho da Mônica que gosta demais de fazer amizades, de estar com gente…

Conto mais essa semana!

Nota de rodapé: Só tem criança linda aqui. Não é bonitinha nem engraçadinha…é LINDA! Como se todos os parquinhos fossem um local de testes para um commercial da Pampers. Um dia ainda pego uma e saio correndo (ou na melhor das hipóteses, faço uma pra mim, né).

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4 comentários sobre “Wellington…Cheguei!

  1. Prima, não pude ir até ao aeroporto me despedir de você, mas desejei muito uma excelente viagem. To com saudades! Estou muito feliz em saber que você está bem e curtindo muito essa aventura. E o Rodrigo, como está? Tenho que confessar que com as descrições do seu texto, estou ficando com vontade de conhecer a Nova Zelândia, rsrsrs.. Quem sabe um dia!
    Desejo muita sorte para vocês dois, sei que vai dar tudo certo! Adoro vcs!!!!
    Me adiciona no Skype e no msn.
    Bjus!!!!

  2. Afilhada querida!!!!!
    Me diverti muito passeando por ai com voce, foi muito bommmmm
    Já gostei, afinal sou virginiana.rsrs
    Sua bochecha já está “rosada” ou foi ilusão de ótica minha?
    Quanto as crianças, por favor não roube…..faça uma…..com certeza vai ser tão linda iguais as daí. Amei os gatos e a cara desconfiada do cachorro .
    Beijos p vc e Rô
    Fica com Deus !!!!!!!

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