Quando tudo o que você precisa são + 15 dias!

“The man who goes alone can start today; But who travels with another must wait till that other is ready.”

Frustração. Essa é a palavra que de forma mais recorrente vem a minha cabeça desde os acontecimentos da última semana. Você já esteve num avião que arremeteu? Eu já. Era o último vôo de Congonhas, doida pra voltar pra casa, sexta-feira. Ter que voltar pro hotel e voltar pra casa no dia seguinte me azedou. Os que tem síndrome de Pollyana diriam: “ahhh, mas o avião podia ter caído” e eu só pensava: “putz, podia estar em casa”. Liguei para um grupo de amigos de Sampa pra resmungar do horário de funcionamento do aeroporto deles e eles acabaram me buscando pra jantar. De longe, uma das noites mais divertidas e agradáveis que tive na terra da garoa. Antes de dormir, agradeci a Papai do Céu pela oportunidade daquela noite. E se eu notar direitinho, em vários momentos da minha vida a máxima “há males que vem pra bem” fez muito sentido. E tomara que seja esse o caso agora.

Fui criada pela minha vó materna desde 4 anos de idade. Criação de mãe… o nescau na cama e a voz: “levanta um pé” ( e me calçava uma meia) “levanta o outro” (e a mágica da meia no pé acontecia de novo). Reunião de pais e professores, dia das mães,vistoria na mochila e caderneta, pente fino em época de piolho, o bife maior, a roupa lavada, a cama feita… Mas sempre foi um pouco mais já que eu e minha vó nos entendemos em um nível difícil das pessoas que estão em volta alcançarem. Temos uma característica comum que nos difere um pouco do restante da família: esquecemos rápido o que não é bom. Sou aquela que alguns amigos falam: “ai Mônica, vc é boba hein. Todo mundo te enrola”. Que o namorado alerta: “e vc ainda é amiga dessa pessoa? Depois disso tudo?” – Sim eu sou. Porque eu esqueço. E me sinto bem assim. Sempre que carreguei mágoa comigo levei junto uma mochila de pedras que de nada me serviu. Então esqueço. E devo isso a minha avó.

“How wonderful it is that nobody need wait a single moment before starting to conquer the world.”

No fundo quando a consultei sobre a viagem há 10 meses atrás, ela reagiu com uma descrença tão grande que me fez também duvidar! A medida que o tempo passou, a passagem foi paga, as coisas começaram a ser providenciadas a descrença acabou dando lugar a uma certa nostalgia… mas jamais, JAMAIS, ela me pediu que ficasse. Disse que tinha medo, que era arriscado… coisas que toda mãe diz. Por isso sexta passada quando cheguei em casa e soube que ela estava internada com a pressão arterial altíssima e que tinha sofrido uma isquemia cerebral transitória, imediatamente vi um nó de marinheiro se formar diante de mim. Ao mesmo tempo que a ansiedade e o medo de que alguma coisa acontecesse a ela me empurravam pra fechar as malas, um pedacinho de mim (aquele que ficava como o bife maior) pediu pra ficar, pra segurar a mão, pra olhar no olho e dizer que tudo ia ficar bem.

“All human wisdom is summed up in two words – wait and hope”

Claro que uma decisão assim nunca é só sua. Você ouve conselhos, pede por eles. O melhor e que me ajudou a decidir veio da Jú: “você precisa estar plena nessa viagem”. E é isso. Embarcar em um viagem dessas que pretendem ser longas significa ir inteira. Nenhum pedacinho de você pode ficar. Ouvir de quem te espera (e principalmente de quem você conta os dias pra ver) do outro lado do pacífico que entende e que vai esperar por você torna tudo mais fácil. Ir e correr o risco de passar o resto da vida me culpando por não ter segurado a mão da minha vó por mais 2 semanas seria complicado demais pra eu administrar lá na frente.

Então, oficialmente estou arremetendo e recomeçando a contagem regressiva. Dia 22 de junho (terça) estarei inteira entrando no portão de embarque com minha vó me dando tchau. Foi assim que imaginei e é assim que deve ser.

Nota de Rodapé: Próximo post sobre a aventura impossível de fazer a mala, a despedida do trabalho e dos amigos…

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3 comentários sobre “Quando tudo o que você precisa são + 15 dias!

  1. A melhor parte do seu texto é o “levanta um pé”, chegou a me arrepiar a sua sensibilidade pra transmitir em palavras o que é a importância de criar alguém.
    Fica tranquila, baby, às vezes a gente precisar dar 1 passo pra trás, pra dar 2 pra frente.

    Te amo!

    Beijo procê e pra sua vó.

  2. Concordo com sua amiga Ju. De fato vc precisa ir e nao deixar nenhum pedacinho. Tudo vai ficar bem. Tanto aqui quanto lah do outro lado do Pacifico. Ora bolas! Duas semanas nao sao nada para nao ter que levar dentro da mala sentimentos que devem ficar. E pelo que pude perceber, sua mala jah estah lotada. Te amo!

  3. É isso, Mônica!!! Nada é por acaso. Muito bom o seu texto, na verdade nada disso atrapalha seu objetivo, seu futuro. Adiar, as vezes é necessário e você soube levar e administrar isso muito bem. Parabéns!!! Bjks!

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