Praticando o “Desapego”

“A mudança é o progresso através do qual o futuro invade nossas vidas.” (Alvin Toffler)

Sabia que essa hora ia chegar. A hora que eu tivesse que remexer as gavetas, abrir as caixas, tirar tudo de cima do armário e… me desapegar! Doar o que ainda pode ser útil pra alguém, jogar fora o que não serve nem pra mim e “salvar” o que realmente é importante. Descobri que a medida que fui ficando mais velha, fui ficando mais apegada a “tralhas”… e tenho (tinha) muitas! Algumas coisas são absolutamente impossíveis de se jogar fora: a roupinha que saí da maternidade (acredita que ainda tenho?), as cartas da minha irmã pra mim, as fotos de uma época onde um filme de 36 poses era caríssimo e as revelações geravam negativos que a gente sempre perdia e por isso tem muito mais valor do que as digitais que a gente tira e deleta quantas vezes quiser, bichinhos de pelúcia que além de ácaro juntam histórias incríveis como o dia que meu local de trabalho foi invadido por flores, um coelho de pelúcia e um ovo de páscoa gigantes. Exagero delicioso e inesquecível do Rodrigo pra mim. E se você tem a intenção de se mudar por no mínimo 6 meses (na conta pessimista, onde tudo dá errado) para outro continente pode ter certeza que a tarefa mais difícil de todas é saber o que levar.

É bem possível que minha melhores amigas tenham achado muito engraçada a minha lista com 4 camisetas assim, 3 calças assado, 2 tênis daquele jeito, 3 sandalinhas… enfim, uma lista totalmente digna de uma pessoa diagnosticada pelos melhores psiquiátras como obssessiva e metódica (doida mesmo) – coisa que definitivamente não sou – mas é que se tornou praticamente impossível colocar meia dúzia de roupas (ainda que combinem entre si) numa mala e deixar a vida inteira pra trás. A não ser que você queira mesmo esquecer definitivamente o que viveu até ali. Não é meu acaso. Minhas escolhas (até as ruins) carimbaram meu passaporte pra essa aventura. o que eu vivi até aqui, vai comigo!

Mas voltando a “saga da arrumação”, eu e minha amiga-vizinha Dri separemos tudo em 4 categorias (importante lembrar que NINGUÉM, eu disse NINGUÉM prática o desapego assim tão radicalmente sem uma amiga focada do lado dizendo: “isso é lixo! Pára com isso, isso é lixo sua louca!!!”).

Categoria Lixo: Não tem muito o que explicar né… aquela coleção de cartões de visitas do seu primeiro estágio em 1996. Todas aquelas empresas se não fecharam, podem ser facilmente localizadas na internet. Aquela conta do plano de saúde de 2004 também, assim como um monte de outros papéis que você nem lembra que tem e porque tem.

Cateogoria Doação: Tanta coisa que pode servir a tanta gente e você pulando e socando pra dentro da parte de cima do armário pra que? Cobertor, casacos imensos (de quando eu era beeem gorduxona), um cd player que certamente alguém vai consertar, um celular antigo (mas funcionando), frasqueiras e muitos bichinhos de pelúcia que podem se tornar o único brinquedo de uma criança.

Categoria Bazar: Aquelas coisas que você enjoou ou que não vai poder mesmo levar, mas que são totalmente usáveis. Chame algumas das suas melhores amigas, e as convide pra um “garage sale”. Foi o que eu fiz! O “bazar do desapego” ainda vai acontecer, mas deu já pra separar várias coisas: ítens de decoração, um ventilador de teto lacrado na caixa ainda, livros, muitos livros, jogos de tabuleiro, porta-retratos, bolsas… um enormidade de coisas legais.

Categoria “Não desapego MESMO”: E tem umas coisas, que não tem jeito, eu vou ter que contar com a colaboração do pessoal aqui de casa pra manter são e salvo. Muitos livros, alguns presentes, fotos, a tal da roupinha que saí da maternidade… mas aí você já reduziu todas as suas coisas a 1/4 de tralhas! Bom não?!

“Você deve compreender que a mudança é inevitável e quando direcionada para o amor e a auto-realização, é sempre boa.” (Leo Buscaglia)

Tem uma outra categoria, que de longe a maior delas e por isso vai merecer um dia inteiro (talvez dois) de arrumação: CD’s e DVD’s.. Sendo alguém que ama música e que tem o privilégio e a sorte de trabalhar com isso, sei que acumulei muita música ao longo do caminho, todas elas cabem no meu Ipod. Mas tem sempre aqueles especiais que vou querer guardar comigo…

Bom, essa descrição toda foi pra ilustrar, que pra mim, a Aventura Kiwi também já começou. Decidindo o que levo ou não comigo, já começo a movimentar a energia, a arar a terra que vou plantar lá ao lado do meu amor. E semente velha não dá frutos. Se desapegar faz parte de um processo saudável, além de no caso do bazar, ajudar MUITO nas econômias da viagem.  E mesmo que você não tenha um motivo como o meu, mesmo que não vá viajar, faça uma arrumação dessa. Tenho uma amiga, a Nanda, (minha Pacolinda) que sempre faz o dia do desapego na casinha dela. Então, viajando ou não. DESAPEGUEM-SE!

Nota de Rodapé: Tenho 1 frigobar Consul de 80l, um microondas também Consul, um ventilador de lacrado na caixa e um telefone motorola nextel, todos branquinhos e bem novinhos, e mais algumas coisas que são do meu quarto e que vou vender. Por favor, se souberem de alguém interessado, me avisem!

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6 comentários sobre “Praticando o “Desapego”

  1. Taí um post feito pra mim!
    Eu tenho Síndrome de Esquilo, carrego tudo pra casa, guardo a porra toda… Séééérios problemas pra desapegar, mas há pouco mais de 4 meses, me obriguei a exercitar esse mal. Aproveitei a mudança de apartamento pra me desfazer de muita coisa, fazer um bem a quem daria utilidade no que, pra mim, muitas vezes não tinha nenhuma. E, ó, vou te falar, descarregou o ambiente com força, renovou as energias totalmente.
    Decidi depois disso que vou trabalhar mais o desapego, e graças a Deus tenho uma pessoa do meu lado lá em casa que me dá uma bela sacudida quando algum objeto começa a se entranhar em mim.
    Tô vendo que esse Garage Sale vai além do que eu pensava, vou falir! uhauhahua

    Te amo!

    Beijos

  2. Preciso confessar: Sou do grupo dos apegados! Curto todo tipo de pequenas lembrancinhas, de bilhetes a papel de bombom dividido! Guardo tudo e adoro meus momentos de nostalgia, revendo, lembrando, rindo sozinho… mas esse desapego é mesmo necessário, né ? -mesmo quando não se vai pra outro continente. Muita coisa é tralha, e ainda assim, pode servir pra alguém

    E ah, você pediu pra ler e comentar, então cá estou eu!

    Beijo, beijo

  3. eu, a amiga-vizinha já estou loooouca para começar a parte II, a revanche em cima dos cds e dvds … vamos encher aquele quarto de energia nova e guardando APENAS o muuuuito importante … pq eu como , miss garbage, não penso duas vezes e arranjo um destino para tudo uahuahauahua beijo bella !

  4. Moraeeees… Apenas uma observação antes do pedido… Também pratico muito o desapego. Meu maior hábito é nas roupas (se é que interessa… heheh). Bem, o pedido é: quero muito ver o bazar dos livros, uma grande paixão minha. Lembre-se da Cantinho aqui. Eu entendo “desapego” como o hábito de fazer a energia girar. Não podemos nunca deixar coisas paradas… E vamo que vamo.
    Beijo grande!

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