Terremotos em Wellington

Terremoto 21 Julho - Prédio do BNZ

Terremoto 21 Julho – Prédio do BNZ

Não dá pra esquecer dos terremotos do último final de semana. Como eu moro em prédio e no alto (13º andar), a gente acaba sentindo mais o impacto do que quem está no chão, pois a estrutura dos prédios foi mesmo feita para “chachoalhar” durante um terremoto. A sequência de terremotos começou na sexta-feira dia 19  pela manhã (5.7), outro no dia 21 de manhã (5,2) e finalmente no domingo a tarde o mais forte (6,5) que deixou a cidade toda meio assustada. Agora vários aftershocks já aconteceram e já somam quase 2.000 (1/5 deles imperceptiveis). O primeiro eu estava no trabalho e me enfiei debaixo da mesa enquanto meus colegas riam da minha cara (eles se divertem com o medo que eu tenho), o segundo eu e Rodrigo ainda estávamos na cama… nos abraçamos e ficamos ali quietinhos no estilo Titanic (hahahaha). Mas o fortão não foi legal não… Rodrigo estava no trabalho e eu estava sozinha em casa… tinha acabado de levantar pra fazer uma sopa pra mim quando ouvi o barulho (é, faz barulho antes)… daí lembro ter me segurado debaixo do batente da porta e de ver as portas do armário e as gavetas da cozinha abrirem e começar a cair coisas… lembro que olhei pra uma estantezinha de livro que temos na sala e os livros no chão. Assim que acabou de tremer Rodrigo ligou… peguei passaporte, dinheiro, celular, chave e sai… descendo as escadas ficava fazendo o mantra “por favor não tropeçar” por conta de pedaços de cimento e placas de tinta no chão – Rodrigo largou tudo no restaurante e foi me encontrar na rua. Eu de pijama e roupão com a uma cara de quem tinha visto uma multidão de fantasmas. Tomamos um café, demos uma volta e ele voltou pro trabalho.

Nos minutos que se seguiram alguns amigos queridos  aqui de Wellington (e outras cidades tb aqui na NZ) via twitter ou facebook mandaram uma mensagem de “vem pra cá” e acabei indo pra casa do Yousef (quase um irmão pro Rodrigo), lá fiquei em um grupo grande conversando, vendo filme e acabou distraindo até o Rodrigo chegar… mas como não queria voltar pra casa de jeito nenhum com medo dos aftershocks, dormimos lá por dois dias. Encasquetei que não voltaria para o prédio até que um relatório oficial de engenheiros estruturais saísse. Mandei um email pro proprietário do apartamento e pedi que ele me mantivesse informada.

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Grab & Go Kit

Nessas horas a gente pensa que não tem kit the primeiro socorros decente, que não tem uma mochila com o básico pra se safar num momento de um terremoto, que você não tem reserva de água… a história do cadeado na porta depois que já foi arrombado. Comprei tudo essa semana: agora temos um Grab& Go Kit – (que literalmente significa “pega e vai”, kit de primeiros socorros, comida de latinha e reserva de água).  Montei um kit pra todos os funcionário aqui da empresa e agora todo mundo tem tudo o que precisa se um terremoto mais forte acontecer no escritório também.

Bom, na segunda-feira a recomendação foi a de que ninguém saísse de casa, então trabalhamos remotamente e a cidade passou por uma inspeção da Defesa Cível e pela limpeza de vidros e reboco que cairam das fachadas. Algumas ruas foram interditadas mas já na terça tudo parecia normal e o tal do relatório do meu prédio saiu com a garantia que os danos que a gente via no prédio era apenas cosméticos (tinta, piso…). Fuçando mais, descobri que o meu prédio é um dos únicos 3 em todo Wellington que atende a 100% das exigências com relação a terremotos. Pra você ter uma idéia, pra um prédio ganhar o “green stick” tem que cumprir 37% das exigências. Então no fundo acho que o Rodrigo tem razão quando ele me disse depois que eu enlouqueci querendo me mudar, que provavelmente o lugar onde mais estamos seguros é no nosso prédio, mesmo que sacoleje a gente.

Terremoto 21 Julho

Terremoto 21 Julho – Porto

Nas primeiras 24 horas bateu aquela vontade de pegar o primeiro avião pro Brasil. Daí a gente pensa… bom, plano de saúde pro meu parto e pra Zoe no Brasil? Arrumar emprego? Alugar um canto? Estaríamos mesmo seguros? E deixar esse lugar que a gente tanto aprendeu a amar? Na terça saí do trabalho, cheia de coragem e voltei pra casa. Coloquei tudo de volta no lugar, joguei fora o que quebrou, liguei a TV e fui me distrair assistindo as programas que tinha deixado gravando na sky. Ontem cheguei do trabalho e me aventurei num bolo de laranja… É a vida voltando ao normal.

Quando o Rodrigo chega dá aquela sensação de alívio de não estar mais sozinha.

Se um dia você vivenciar um terremoto, por favor, JAMAIS faça o que essa moça no vídeo fez. Além de ter corrido o risco de se machucar, ela virou piada nacional aqui… tadinha…

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Expatriado pode se manifestar?

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Manifesto em Wellington

Assistir tudo que está acontecendo no Brasil hoje é confuso e por vários motivos.

Primeiro a gente se pergunta se deve ou não se envolver, afinal a gente “abandonou o barco né” – como muitos amigos dizem. Decidindo que deve, tem aquela sensação de: “mas será que eu posso?”. Acho que a gente pode né? Nossas famílias vivem no Brasil, nossos amigos, e no fundo a gente sempre tem na cabeça (e no coração) que se as coisas mudarem a gente também pode voltar. Acho que quando a gente vira família, esse sentimento aumenta. Eu estou grávida, minha filha vai querer saber sobre o Brasil, eu quero que ela fale Português, visite a família sempre que possa. E se ela se apaixonar e quiser viver lá? Se apaixonar pelo Rio, pelo Brasil, não é tão difícil assim.

Se isso acontecer, eu quero que até lá o país seja um lugar melhor pra ela, para os amigos dela. Então vale a pena lutar sim, mesmo que a gente tenha “abandonado o barco”. Ontem teve manifestação aqui em Wellington e a gente ficou meio chateado de não poder ir. O tempo estava bom (depois de 1 semana de chuvas), mas esse também foi o último domingo da família do Rodrigo aqui (eles vão embora amanhã). Os pais e duas tias que já passaram dos 70 com planos de turistas mais interessantes do que se juntarem a gente num protesto. Não deu pra participar… me senti um pouco “traindo o movimento” mas foi preciso priorizar.

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Cuba St. Wellington – NZ

Eu não vou chover no molhado e destrinchar tudo de errado que está acontecendo no Brasil. Enquanto todo mundo celebrava o direito de sediar a Copa e as Olímpiadas eu era chamada de espírito de porco pelos meus amigos porque sempre achei descabido um país que não cuida dos seus, se oferecer para receber os outros. De antemão já se sabia que estávamos diante de uma série de obras de maquiagem, de superfaturamentos, atrasos e desvios de verba.

A PEC 37, o Renan Calheiros, a Cura Gay… é tanto absurdo que dava manifestação pra uma década, elegendo um motivo por dia!

Mas tem também a alienação dessa gente que vai pra rua nesse movimento “não partidário” sem saber que esse movimento é essencialmente de esquerda, dessa gente que foi pra rua inocentemente achando que quando o movimento atingisse as massas não teria confusão e vandalismo. Essa gente que se comporta como se estivesse numa micareta, essa gente que quer revolução mas não quer pegar engarrafamento pra chegar em casa depois do trabalho… o maior problema do Brasil é muitas vezes, o Brasileiro.

E tem os idealistas, os que acham que realmente vão fazer a diferença, que vão conseguir mudar o País. Os que de balde e vassoura foram no dia seguinte a manifestação limpar a Alerj. Por esses tenho amor… e é por esses que acho que vale a pena ir a rua.

A melhor de todas as aventuras!!!

A nossa “Aventura Kiwi” ganhou uma outra dimensão há 3 meses atrás quando no dia 14 de fevereiro descobrimos que estamos grávidos!!! Vem um(a) kiwizinho(a) por aí…

Eu sinceramente dúvido que a maioria dos bebês por aí foi tão desejado quanto o nosso. E a notícia pra gente é tão grandiosa que acabou merecendo um blog só pra ela.

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Hey you!

http://teesperando.wordpress.com/

Eu comecei a escrevei o “Te esperando” em 2011, quando a vontade de ser mãe era só um desejo latente… em 2012 veio a notícia que os ovários policísticos estavam de volta e eu senti necessidade de escrever mais sobre isso. Você vai ver que alguns posts estão até “bloqueados” porque eram mesmo mais um diário do que uma coisa pra dividir com o mundo.

Agora não, agora eu quero contar dos enjôos, das ultras, dos presentinhos (já ganhamos tanta coisa fofa), das dúvidas, do tanto de informação que a gente lê… enfim, dessa nossa nova aventura que promete ser a maior (e a melhor) de todas.

A idéia é continuar postando aqui de vez em sempre, falando um pouquinho do nosso dia-a-dia e das experiências na Nova Zelândia. Mas a gente sabe que a gente não vai ter muito assunto por aqui, porque eu não vou lutar contra a vontade de ser aquela mãe pentelha que fala do(a) filho(a) a cada 5 minutos.

Divirtam-se!

Retrospectiva 2012 – Senta que lá vem história.

Bem vindo 2013!

Bem vindo 2013!

Vou começar contando que quando fiz meu login no wordpress essa manhã, a idéia era de escrever um último post e fechar o blog, desisti assim que percebi há quanto tempo não escrevia. Não gosto de coisas incompletas. Gosto de fechar ciclos, encerrar assuntos, fazer as pazes antes de dormir. Não sei lavar metade da louça. Tenho angústia de coisas pela metade. Tendo dito isso, vou passear rapidinho pelo ano de 2012 e deixar aberta a possibilidade de continuar escrevendo por aqui,  ainda que apenas como uma forma de manter um arquivo dessa fase da vida (o blog vai mesmo acabar um dia eventualmente). O Aventura Kiwi nasceu em uma mesa de bar como tantos outros “bloguinhos” e a idéia central era manter essas amigas que estavam comigo no bar atualizadas sobre a vida por aqui. O tempo passa, a novidade vira trivial e no final das contas, o Facebook acaba cumprindo bem essa missão pra gente.

O que vai no ♥

O que vai no ♥

Voltando ao post, nesse Natal, diferentemente dos 2 anos passados foi de muitos agradecimentos e pouquíssimos pedidos. Emocionalmente, a vida presenteou nossa perseverança e nosso relacionamento com uma base que até então eu desconhecia ser tão sólida. Foi um ano de colocar as mágoas, a culpa e o ressentimento para trás e brindar nossa escolha, celebrar as coisas simples do dia-a-dia. Nada disso vem fácil, as vezes você precisar se desapegar de coisas que até então julgava fundamentais pra você. Rever conceitos e desatar vários nós para apertar alguns poucos laços.

2012 foi um ano de decisões, de filtrar e peneirar. De fazer escolhas. Muitas.

Mountain Pose

Mountain Pose

Profissionalmente foi um dos mais difíceis que tive até agora. Um grande aprendizado em vários aspectos, onde aprendi a diferença entre trabalhar e fazer o que se ama. E é brutal. Se você trabalha uma vida inteira sem paixão pelo que faz, sem admiração pelas pessoas que estão a sua volta, meus parabéns. Eu jamais vou conseguir. Já no finalzinho do ano muitas coisas mudaram, o que transformou o que seria um pedido de Natal em mais um agradecimento. Por conta disso, descobri que mentalizar funciona, a não ser que você esteja mentalizando ganhar na mega senna (aí não adianta não). Nessa linha, esse ano encontrei as aulas de BodyBalance da academia (Tai Chi, Pilates e Yoga) e descobri que pre-ci-so dessa válvula de escape e só assim consegui fazer as pazes com a academia depois de alguns anos de descuido e do retorno da SOP* (pesquisa se for muito curioso). Nada hardcore com gritos de uhuuu, mas algo que me ajude a focar no que importa (e pouquíssimas coisas tem importado.

Uma amiga querida, postou esse texto lindo na página dela e me fez perceber que a promessa de ano novo dela consiste em algo que sem querer pratiquei em 2012:

“Em 2012 eu abracei o mundo. Abracei mais do que eu podia suportar. Abracei tanto e tão forte que perdi o ar. No proximo ano vou me presentear com um abraço bem confortável e aí sim, com o espaço que sobrar vou abraçar apenas e tão somente o que de verdade eu amar. ♥” – Renée Arditti

2012 Favorite Yumminess!

Favorito de 2012!

2012 foi um ano de importante vitórias, e ainda que essa vitória em especial não seja particularmente minha, esse foi o primeiro ano do resto da vida do Rodrigo fazendo o que ele mais ama. E que sentimento incrível esse de vibrar, se emocionar e ficar imensamente feliz pela conquista de quem você ama . Admirar a primeira pessoa que você vê quando acorda é regra importantíssima na construção de uma relação duradoura. E esse ano foi imbatível nesse aspecto. E sempre tem o bônus de todas as delícias no final do dia (destaque pro cheesecake, nem de longe o mais elaborado mas certamente meu favorito). Eu que conheço tanto o sentimento bom que vem junto com o privilégio de se trabalhar com o que a gente ama, jamais ficaria indiferente a esse brilho no olho de quem transformou uma paixão em profissão.

NZ, Our Home.

NZ, Our Home.

Continuando pelas vitórias, esse ano saiu nosso visto de residência. E isso se traduziu durante o ano inteiro não somente através do selinho no passaporte, mas através de muitos outros sinais. Wellington é nossa casa, onde a gente esbarra com amigos no mercado, vai a feira sem máquina fotográfica (que é quando você percebe que deixou de ser turista), onde a gente marca jantares na casa dos amigos ou um picnic na praia em dia do sol. A mesa de bar continua existindo, com novas amigas e o vinho no lugar da cerveja enquanto Rodrigo vai jogar futsal. Mas não é que o tal do selinho no passporte dá um sentimento de liberdade que a gente não havia experimentado até aquele momento? A Nova Zelândia acolheu a gente e é engraçado que sempre durante uma conversa com alguém que acaba de descobrir que somos residentes, tem sempre um: “bem vindos” ou “parabéns”. E a gente fica bobo como se fosse grande coisa… mas se parar pra pensar, não é que é mesmo? Não dá pra garantir pra onde a vida vai levar a gente, mas Wellington sempre vai ser a cidade do meu coração, e isso é gigante considerando que nasci numa das cidades mais amadas e enaltecidas do mundo.

Surpresa!

Surpresa!

Esse ano teve surpresa de aniversário também, cartões que vieram do Rio, cheios de amor e amizade. Cheios de carinho e consideração. Foi um dos pontos altos do meu ano porque me mostrou que algumas relações realmente não mudam com a distância enquanto outras podem mudar completamente ainda que você esteja perto como jamais esteve. Sem contar todas as artimanhas do Rodrigo pra fazer essa ponte entre mim e meus amados, falando neles, é nessa época do ano que a saudade da família e dos amigos de longa data aperta. A conta de telefone vai nas alturas e o todas as horas do skype não parecem ser suficientes pra suprir aquele abraços que a gente não pode dar. Tem sempre os pais da gente, cada um ao seu modo, que se fazem presente através do presente… é bom, mas não é igual. Por outro lado tem essa sensação gostosa de nós dois hoje sermos um núcleo, família. Família de dois.

Feliz 2013!

Feliz 2013!

Eu particularmente ADORO esse conceito de “Ano Novo” – amo a idéia de celebrar um novo início, de ver todo mundo emanando e recebendo amor, espalhando boas energias por aí e refletindo sobre o ano que está ficando pra trás. No meu caso, fazendo dos sabores a metáfora perfeita, no meu ano teve de tudo: Ácido, amargo, salgado… mas definitivamente terminou doce. E tem que ser assim mesmo, porque doce o tempo todo enjoa, mas é esse o gosto que a gente sempre quer pro final. O mundo não acabou em 2012 (ahhh os Maias) e de quebra está deixando em seu lugar um ano novo inteirinho e em branco pra gente colorir (o verbo de 2013). Eu quero usar todas as cores e só virar cada página com a certeza de que não ficou nada por fazer. E você?

Quando as Olimpíadas trazem saudade…

Hoje foi a primeira vez que chorei de saudades desde que cheguei aqui há dois anos atrás. Chorei porque não me lembro de uma Cerimônia de abertura das Olimpíadas que eu não tenha assistido com esse “Véio” lindo do meu lado. 

Exemplo, se as amigas queriam assistir comigo, tinham que ir pra minha casa ou então nada feito. A Cerimônia das Olimpíadas, assim como a competição como um todo sempre foi coisa nossa. O prazer de assistir a todo tipo de competição esportiva, veio dele. O esporte sempre foi nosso elo, mesmo nos momentos mais aborrecentes da minha vida, onde tudo era rebeldia e intolerância, a gente sempre se calou e se uniu diante de uma boa competição. Nos permitindo uma trégua, só para torcermos juntos.

Hoje quando a Cerimônia começar, eu sei que vou me perguntar porque não entrei num avião sem escala pro Brasil. Descer no aeroporto, passar no mercado à caminho da casa que sempre será minha também, comprar uns “belisquetes” e uma cervejinha, sentar no chão da sala só para ter o prazer de deixar esse elo silencioso preencher nossa vida mais uma vez. Sei que o os olhos dele estarão na televisão, assim como os meus, mas nossos pensamentos estarão por aí, visitando memórias e tentando se encontrar…conectar. E sei que vamos conseguir (taí o skype que não me deixa mentir).

Mudar para o outro lado do mundo, tem dessas coisas. Esse é o preço e eu sempre soube disso. Mas se a gente mete a cara e paga o preço das nossas escolhas, a vida reconhece o esforço e premia a gente com novos elos e nos ajuda a criar novas tradições. Hoje por exemplo eu voltei do trabalho correndo pra casa porque sexta é dia de pizza e de ver o Crusaders (rugby) jogar. É fascinante ver o seu relacionamento se “re-encaixar” e entrar num processo gostoso onde o outro deixa de ser seu namorado, ou parceiro e passa a ser a sua família. O nascimento e o fortalecimento desse núcleo muda a gente. Pra sempre.

A contradição sempre vai morar no fato de que as maiores saudades sempre vão vir das menores coisas, de momentos que você guarda com apreço e que significam o mundo pra você. Já a alegria mora no fato de que sentimentos assim são sempre recíprocos e não vão à lugar nenhum e jamais se esgotam, independente da distância.

Quando a visita traz o (seu) mundo nas costas!

Quem já se mudou para outro país sabe que todo mundo diz que vai dar um jeito de visitar você. As promessas variam entre:

– Ahh sempre quis conhecer o “Alasca”  e agora que você vai pra lá tenho mais um motivo!
– Ó, já pode preparar um quartinho de hóspede pra mim hein!
– Estou precisando mesmo fazer uma viagem longa…
– Comecei a economizar hoje pra poder te visitar daqui há um ano!

Tem gente que marca o mês e tudo. Em maioria porque as primeiras semanas de quem fica são cheias de “saudade” (não entendo muito bem como você fica na mesma cidade 3 meses sem ver a pessoa, e aí ela se muda pra outro país e com uma semana já está “morrendo de saudade”, mas tudo bem…isso é assunto pra outro post. Mas pra resumir essa introdução e reafirmar o que todo mundo já sabe, NINGUÉM pega o avião e VAI. A menos que você esteja casando, parindo ou pagando, as tão desejadas visitas podem nunca acontecer. E vale pra mim também que já jurei de pé junto que iria visitar um monte de amigos queridos no exterior e não fui. A vida engole nossoa planos com uma ferocidade surpreendente.

Haere Mai Ki Aotearoa

Eu confesso que só senti saudade mesmo depois de uns 4 meses aqui… eu tinha muita informação pra digerir, muito coisa nova pra processar e muita coisa linda pra me maravilhar que sobrou pouco espaço pra querer estar no Rio numa quinta-feira qualquer tomando o mesmo chopp que eu tomava há 10 anos. Maaaaasss, depois a vida vai assentando, você vai criando a sua rotina e um dia você acorda e pensa: “É… hoje eu tomava aquele choppinho com as meninas no final do dia, estou mesmo precisando conversar.” Só que aí você realiza que as amigas (e o chopp) não estão mais tão a mão quanto antes e dá aquela pontadinha de tristeza.

Tendo dito isso, qual não foi minha surpresa quando eu e minha amiga Dani tivemos o seguinte diálogo no Facebook (sim, o diálogo está cheio de cortes e essa é a versão super ultra mega hiper uber resumida):

– Ai amiga, tô precisando de uma mudança…
– Ué, vem pra cá! Rs…
– É né, seria uma ótima oportunidade. Vou sim, você me ajuda a ver passagem, um curso bacana de inglês…
– CLARO! YAY!

Vou abrir um parênteses aqui pra dizer que a Dani é mesmo uma das minhas melhores amigas, daquelas que sabem tudo de mim e ainda me amam. A história da nossa amizade é cheia de momentos sensacionais e de algumas perdas irreparáveis. Já sonhamos juntas com coisas que tivemos a felicidade de ver realizadas e outras que infelizmente não vão acontecer nunca. Por tudo isso, depois que ela me enviou as informações de vôo eu fiquei numa ansiedade só, basicamente porque eu sou mesmo dessas que fica ansiosa por qualquer coisa mas principalmente porque eu sinto muita falta das minhas amigas. Sinto falta daquela conversa que dependendo do assunto por ser (des)motivacional e inútil (porque por mais que a gente ouça a amiga, no fundo a gente só vai fazer mesmo o que quer e geralmente não é coisa boa). Vamos combinar, tem coisa melhor do que re-visitar momentos engraçados durante um bate-papo? Desde que cheguei aqui faço um monte de piadas internas comigo mesma… aquelas frases soltas de um comercial, um texto do Friends (ou do Chaves) que a gente fala e começa rir. Lendo assim parece triste, coisa de gente doida… e no fundo até pode ser, mas é como você vai lidando com distância.

Happy Day!

Não me entendam mal, eu tenho um “living in boyfriend” (essa expressão é ótima) que é o máximo, que eu amo demais e que por tudo que já passamos juntos, é de fato meu melhor amigo. Sei que ele se esforça pra cobrir todas as frentes, me ouve, me aconselha… mas não dá pra pedir pro cara ler a última entrevista da Angelina Jolie na Marie Claire e ainda comentar com você enquanto toma um vinho rosé né; Nem pra rever “How to Lose a Guy in 10 Days” e esperar que ele entenda o ponto de vista da coitada que leva uma mini samambaia pra casa do namorado. Tem coisas, que só sua amiga é capaz de entender.

E tem outra coisa também. A Dani conhece a minha família e 95% dos meus melhores amigos, então foi como se ela não tivesse vindo sozinha. A Dani trouxe com ela um pouquinho deles na bagagem. Ter a Dani por perto é me sentir um pouquinho mais perto de casa, meio que um carinho no coração. Poder ver a Nova Zelândia mais uma vez através dos olhos dela, ficar encantada novamente com coisas que já deixaram de ser novidade, tentar explicar na prática o porque da minha decisão de mudar pro outro lado do mundo são apenas uma das poucas razões pela qual estou apaixonada pela idéia de sempre ter alguém chegando por aqui.

Então um conselho pra quem não pediu: Se você disse que iria visitar seu amigo ou parente, seja na Finlândia ou em Macaé, VÁ! Foca no objetivo, junta uma grana, pensa que você não vai gastar com hospedagem e nem perder tempo porque vai estar com um guia turistico a tiracolo. Prepara o raio dessa mochila e vai!!! Você vai viver dias incríveis e ainda vai fazer alguém que você ama muito feliz!

Nota Rodapé:
1) Dani, só pra eternizar o que já te disse centenas de vezes: Eu não poderia estar mais feliz com a sua chegada. Espero que a Nova Zelândia seja tão generosa com você como tem sido pra mim. Te amo!
2) Nanda e Fú: VEM LOGO PORRA!

2011, 2012, 2013…

Happy New Year!

Você pode discordar, mas eu ADORO essa coisa de celebrar um Ano Novo (assim mesmo como se fosse nome próprio). Eu sei, não muda nada, e hoje apesar de todas as minhas expectativas e de todo o pensamento positivo eu não acordei com a cara da Angelina Jolie e o corpo da Gisele. Olhei no espelho e estava lá tudo igualzinho… mas quem se importa?! É um ano inteirinho escancarado na sua frente, onde você refaz as metas, aumenta o prazo das promessas que fez pra si. É a época que a gente renegocia os contratos que assinou consigo mesmo e se dá outra chance. Tem como não gostar disso?

Eu cometi erros em 2010 e passei 2011 meio tentando me redimir com a vida, com quem eu amo e comigo principalmente, então eu tenho todos os motivos do mundo pra acreditar que 2012 é o ano da colheita. E meio que já tô de cestinha na mão esperando por coisas incríveis florescerem.

Peace & Love

A grana ainda é curta, o trabalho ainda é um desafio e algumas coisas se perderam pra sempre nesse trajeto. Mas o bacana da vida é a volta por cima e a maior meta que tracei pra mim esse ano é parar de olhar pra trás… Esse é o ano de receber amigos, de fazer novos amigos, de rever a Nova Zelândia pelos olhos de quem nunca esteve aqui. Perceber o encantamento que esse lugar tem pela perspectiva de quem apresenta. Esse ano a casa precisa virar lar, os amigos se tornarem família e o trabalho uma fonte de prazer e realização.

É lógico que não é a virada do ano que faz isso pela gente. Qualquer um pode, numa quarta-feira qualquer decidir que à partir de quinta-feira tudo vai ser melhor, diferente. Cabe a você decidir quando o seu ano começa e quando você sente que é hora de renegociar suas promessas. Pra mim, a hora é agora…

FELIZ ANO NOVO! SEJA LÁ QUANDO VOCÊ DECIDA O COMEÇO DELE!

Nota de Rodapé: “Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, to despreocupado, com a vida eu to de bem.” Caio Fernando Abreu