Três semanas.
Já faz quase três semanas que o meu visto saiu. Se alguém deu conta desse tempo, por favor me mande uma pista de onde ele foi parar porque eu não vi passar. Eu acordo, dou uma volta, volto, tomo um banho, como alguma coisa e vou pro trabalho. Depois saio do trabalho dou outra volta, alugo um filme e pronto… hora de nanar. Rotina.
Sei que rotina é um saco… mas semana passada ouvi um conselho de uma amiga que colocou a ficha pra cair: “Monica, você tem idéia de QUANTA coisa te aconteceu nos últimos 4 meses? Você precisa ficar um tempinho sem novidade, não acha?” ACHO. Acho mesmo. Depois de dar um 180º na minha vida de todas as formas que se pode dar, a rotina é realmente o que mais parece fazer sentido agora. Pedi pro “maquinista” parar a montanha russa emocional e pedi pra descer. Em alguns momentos a gente precisa racionalizar e entender que as vezes (só as vezes, não torne a exceção regra) o que se precisa não é necessariamente o que se quer… e com sorte, pode ser ainda melhor. E eu com minhas analogias consegui traçar um paralelo bem bacana entre mim e o infeliz terremoto que abalou Christchurch.
Terremoto… em termos gerais e bem leigos, os terremotos acontecem em sua maioria quando depois de um longo período de compressão há um “ajuste” das placas tectônicas. Entendido essa parte geológica posso dizer que: depois de toda tensão, expectativa (algumas frustradas) e ansiedade que envolveram a minha vinda pra Nova Zelândia e meus primeiros dois meses aqui eu confesso que dei uma surtada. Foi o meu terremoto particular. 9.7 na escala Richter. Surto poderoso, feio e cheio de “after quakes”.
Sabia que em Christchurch não houve mortos e apenas 3 feridos num terremoto maior que o que devastou o Haiti? 3 feridos… Isso aconteceu porque Christchurch estava preparada pra isso. Acontece que eu não estava. Ainda sim lá os prédios antigos caíram assim como convicções que eu achava que tinha. Depois disso, não tem muito o que fazer a não ser avaliar o estrago, limpar a bagunça, consertar o que pode ser consertado e principalmente acabar de derrubar o que ruiu e ficou comprometido. Não é fácil, dá pena, a gente fica pensando se não dá pra salvar colocando um cimento aqui, um cavalete acolá… restaurar requer tempo, empenho, força tarefa… então nem sempre dá.
Tendo dissertado sobre isso, me resta dizer que os muffins são a minha mais nova aquisição na lista de “prendas”. Eles ficam ótimos… Então fico assim, mulherzinha… trabalho (e tem sido muita informação mesmo), vejo um filme e me dedico na reconstrução pós terremoto particular. Quando o coração está em paz faço (e como) muffins. Sempre que dá assisto sóis nascentes e poentes. De quebra, quando mereço, ganho até um arco-iris.
Nota de Rodapé: ”Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesmo de vez em quando numa redoma e poupe-se.” Clarice Lispector





Tia Alice disse,
setembro 30, 2010 @ 8:29 pm
Quero essa vaga. Quero na festa de bailarinos, compartilhar essa alegria, é contagiante só lenso me faz sorrir. Te amo
Ju Leite disse,
setembro 16, 2010 @ 3:31 pm
Depois do terremoto Moraes delivered through mail, venho dizer que meus pacotes de maor continuam sendo embalados pra você. E não é uma delícia você fazer muffins over there enquanto eu faço cupcakes aqui???? Energia circulando!!
Amo você. As fotos estão demais!! Onde é o lugar do arco íris? baci bella!!
Beta disse,
setembro 15, 2010 @ 1:44 pm
Depois da bronca… cá estou!!!
Sempre que leio seus posts vejo uma lição, seja sobre coisas simples, como a rotina, seja para grandes sacadas de maturidade.
Desculpe ficar tanto tempo sem visitar o blog… na verdade o azar é todo meu, pois perdi suas experiências que sempre me ensinam um pouco, me mostram outros pontos de vistas.
Enfim, thanks for sharing your experiences
Beijos. Luv.
Renata Seixas disse,
setembro 14, 2010 @ 1:11 pm
Mônica, sério, eu venho aqui e só confirmo que o destino é mesmo uma coisa muito louca. Você, de fato, precisou cruzar meu caminho… É inacreditável como a gente tem as mesmas viagens! INACREDITÁVEL!
Explico…
Eu tenho fascínio por catástrofes naturais (terremoto, furacão, tornado etc) e uma puta curiosidade em catástrofes não-naturais (atentado terrorista e tal), e, pra muitos, isso soa meio psico, mas não é isso. Meu lance é mais com o fato de eu me chocar muito com essas coisas, fico MUITO envolvida, acompanho de perto e tal. Curiosamente, e de uma forma indireta, me vi realmente envolvida em 3 tragédias.
Em 2001, o Felipe (ex da Karlecx) foi morar em NY 1 semana antes do atentado ao WTC. Uma das minhas melhores amigas morava no Palace 2, quando ele desabou (ok, a gente se conheceu depois, mas eu acompanhei MUITO aquilo). E, agora, me vi aqui, do outro lado do mundo, apreensiva com esse terremoto, justo quando você tá aí.
Depois que passa o susto, eu, como sempre, fico interessadíssima em saber das coisas e, de cara, pensei: “esse terremoto parece que foi uma representação física do que a Mônica tá vivendo emocionalmente”. Olha que coisa! Você aí pensando a mesma coisa.
Mais duas “coincidências” bestas, mas ainda assim “coincidências”: eu adoro muffins e, desde criança, fico ENLOUQUECIDA com arco-íris. hahahaha Me peguei uns 2 minutos olhando pra essas fotos, antes de ler o post, só admiraaaando.
Não sei, mas eu tenho a sensação de que, curiosamente, essa viagem só te aproximou de mim. Eu leio seus posts e te sinto tão perto, tão dentro de mim, esse blog, definitivamente, é meu livro de auto-ajuda. Cada vez que eu venho aqui, tenho a sensação de que eu preciso de pouco pra ser feliz.
Obrigada por me trazer essa leveza, virar minha terapeuta e me fazer diminuir o ritmo, mesmo que seja por, sei lá, 10 minutos!
Te amo!
Beijos